Fotojornalista enterrou fotografias com medo de descoberta Nazista

O polonês Henryk Ross era um fotojornalista que vivia e trabalhava na cidade de Lodz, um gueto que só ficava atrás do de Varsóvia, capital polonesa. Assim que os ataques Nazistas começaram, a câmera de Ross foi confiscada,  até que o fotógrafo passou a ser usado para fotografar escravamente para os nazistas.

Após um tempo, Henryk Ross passou a fotografar escondido, com ajuda de sua esposa (vigia) o dia a dia dos judeus, o registro resultou em 6mil imagens. Quando Hitler pretendia acabar com o gueto, matando todos os moradores (em 1944), Henryk (íntima) enterrou todas as fotografias e negativos. Mesmo tendo perdido metade do material por conta da umidade, valeu a pena.

Lodz foi libertada em 1945 da ocupação nazista, o fotógrafo e a esposa estavam entre os poucos menos de mil sobreviventes. Conseguindo escapar dos campos de concentração, doenças, ou simplesmente da fome.

Nem imagino o quão inspirador essas fotos não venham sendo ao longo desses anos. As fotografias, podem, sim, ser uma prova de que algo aconteceu, algo que esteve ali e não está mais. Pessoas, movimentos, mortos, imaginem um mundo sem provas, sem histórias em imagens?

Fonte: Hypenes

Como você lida com a crise no mercado fotográfico?

Então, como você lida com a crise no mercado fotográfico?

Eu passeie estou passando por várias crises, minha fase e momento são delicados, ainda estou aprendendo e reaprendendo a lidar com muitas questões específicas na minha vida. A crise no mercado é absurda, todos estão passando dificuldades, e com todos os acontecimentos políticos, desastres econômicos, BUM, quebrou minhas pernas. Eu, Helosa, estou aprendendo a lidar. E por isso, também, demorei a voltar pra cá, pro nosso TNF.

Por várias vezes pensei em mudar de profissão, de área, busquei nos amigos uma forma de apoio, até perceber que o problema existe, mas está em todos os lugares, não apenas em mim. Ou seja, a fotografia ainda pode ter força. A fotografia pode resistir, eu posso, você pode.

O quê, afinal, precisamos fazer para sobreviver?

Marketing. Yes! A comunicação é o grande X da questão. Eu resolvi estudar marketing para aplicar a minha empresa. Trabalhar de forma objetiva as minhas comunicações, direcionar meu trabalho pro mercado, pros meus clientes, fazer acontecer.  Vamos ver no que dar. Vou contando pra vocês, aqui e no meu site pessoal como as coisas vão indo.

Queria deixar o espaço aqui disponível para que vocês contem das experiências de vocês. Como estão passando por essa crise, se acredita ou não nela, e quais suas estratégias.

até a próxima

 

Tem Na Fotografia está de volta!

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O Tem Na Fotografia, após pouco mais de 1 ano, está de volta!

Houve uma outra tentativa de retorno, antes dessa, sem sucesso. Eu não estava preparada. Primeiro, a maternidade, depois, trabalho e maternidade, logo em seguida, mais uma crise na fotografia, aliás, crise em mim. Dessa vez, foi séria, severa. Pensei e penso em desistir. Se manter no mercado com a fotografia já não é como antes, tenho uma filha, preciso de segurança. Gosto de segurança, coisas certas. Então, estou nessa fase, procurando me encontrar. O Tem Na Fotografia precisava voltar, senti falta dele, e recebi alguns emails de leitores queridos sentindo falta, chegou a hora. Estou cheia de ideias, mas não quero divulga-las enquanto não tiver certeza que conseguirei cumpri-las. Espero que gostem do meu novo, eu, do novo ano do Tem Na Fotografia.

Quem mais tá em crise, aí? Me conta, quem sabe vira um post!

Negócios para fotógrafos de um jeito inovador, só no Newborn Photo Conference

Que nos dias 19,20 e 21 de Abril acontecerá a 6ª Edição do Newborn Photo Conference, todo mundo já sabe. Que será realizado no Teatro Gazeta, na Avenida Paulista, e, que reunirá alguns dos mais renomados fotógrafos atuantes no mercado (nacional e internacional), também. O que talvez pouca gente saiba é que o evento, não só ensina tudo o que é necessário na fotografia Newborn, mas além disso, abrange áreas como: Família, Tratamento e Negócios. Sim, Negócios. Este que é o assunto chato para muitos, será, ao que depender de seus palestrantes, agradável e bastante esclarecedor. Quer saber o porquê? Então confira.

“Pensando no negócio: formação de preço e lucratividade”. Se para alguém o título da palestra de Alex Mantesso assuntar, ou gerar uma interrogação mental gigantesca, então é hora refletir, afinal, como diz o próprio fotógrafo: “Para aqueles que resistirem à tentação de fugir do assunto chato das contas terão a oportunidade de aprender uma forma diferente de encarar a formação de preço, que é um ponto chave na constituição de qualquer negócio, afinal está diretamente ligado a lucratividade e sucesso do negócio. Fotografar é maravilhoso, mas não podemos fugir ao lado comercial. A conciliação da realização profissional (em ser fotógrafo), com a satisfação de poder pagar as contas é o que nos move a levantar todos os dias, prospectar clientes, produzir material, atender pessoas e chegar ao fim do dia certo de que amanhã tem tudo para fazer novamente. E que bom que tem!”.

Mantesso pretende, em sua palestra no Newborn Photo Conference, quebrar pressupostos e paradigmas comumente estabelecidos. Mas, o que é que vem depois que já se sabe quanto cobrar para obter lucratividade e fazer o negócio crescer? Como gerir o número crescente de trabalhos, deixando os clientes satisfeitos e sem cometer nenhum erro devido a desorganizações? Para responder a esta questão, uma das fotógrafas mais queridas do país, Simone Silvério e o fotógrafo Jaiel Prado, sobem ao palco com o tema: “O fotógrafo como empresário: fluxo de trabalho e produtividade”.

Relativamente a importância deste tema os fotógrafos afirmam:

“Esse é um tema normalmente deixado de lado ou colocado em um plano secundário em relação aos temas ligados à composição, técnica e até marketing, mas ele não é. Ele é, não só, tão importante quanto (…) pode deixar muito mais tempo para você fotografar (sic)”.

O casal, ainda, chama a atenção ao que é bastante comum nos fotógrafos iniciantes, ou seja, a tendência de organizarem cada um de seus trabalhos de um jeito diferente, entretanto, alertam com firmeza para o problema que isso irá gerar ao próprio fotógrafo no futuro, uma vez que com o aumento do fluxo de trabalho fica cada vez mais difícil arranjar tempo para se organizar e, por isso, esclarecem que é muito importante estabelecer desde o princípio um rotina com a nomeação dos arquivos, com os backups, com o fluxo de caixa e gerenciamento de clientes.

A este último assunto, os clientes, o Newborn Photo Conference traz de volta ao seu palco um dos veteranos de seu palco, um fotógrafo que por diversas vezes emocionou os congressistas com suas histórias, que ficou conhecido como o encantador de bebês, capaz de colocá-los para dormir em poucos minutos, bem como desenvolvedor de um jogo de luz e sombras que se tornou sua marca característica. Cristiano Borges, com o tema: “Marketing de guerrilha: técnicas criativas de prospecção e venda”.

A respeito do assunto o fotógrafo esclarece: “O Marketing de Guerrilha é uma técnica que começou a ser desenvolvida nos anos 70 para possibilitar grandes resultados com pequenos investimentos. Percebemos que um grande número de profissionais só começam a se interessar por marketing em momentos de crise, quando não estão tendo muitos trabalhos, entretanto este é o pior erro. O marketing deve ser utilizado principalmente em tempos de bonaça, pois assim é mais fácil atingir sucesso. Não basta ter a melhor fotografia, você precisa saber mostrá-la no mercado. Na minha palestra eu vou responder a todos que sempre nos perguntam a que se deve o nosso sucesso e como fazemos para nos mantermos no topo o tempo todo”.

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Formação de Preço, Fluxo de Trabalho e Marketing, esses são os assuntos abordados na área de Negócios nesta 6ª edição do Newborn Photo Conference. Ficou interessado? Então não perca tempo, as vendas para o evento presencial vão só até segunda-feira (11/04). Acesso o site e garanta já o seu passaporte:

http://newbornphotoconference.com.br/2016/matricule-se/

Danilo Russo, fundador do Newborn Photo Conference em entrevista

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Fundador do Newborn Photo Conferece em entrevista inédita, Danilo Russo conta tudo sobre o evento e nós, resumimos tudo para você ficar por dentro de tudo.  Você que tem interesse em participar desse grande evento, o maior evento sobre o tema, nem imagina tudo o que rola no backstage do evento; bem como sua história, como foram escolhidos os palestrantes, filosofia, organização, os cuidados com bebês e crianças por trás dos palcos, correrias, fora as emoções, as amizades, companheirismo, etc.

O fundador do Newborn Photo Conference, Danilo Russo explicou como funcionou todo o processo. A começar pela história, que inicialmente começou com os interesses do pessoal do IIF pelo tema seguido do primeiro curso de Recém-Nascido (com a fotógrafa Danielle Hamilton – já começaram bem), com o sucesso do curso, acabou virando uma comunidade e com o grande interesse e busca pela temática foi criado o congresso na intenção de reunir em forma de palestras um compilado dos melhores profissionais de Newborn. A partir daí, a grande e primeira chave para o sucesso foi escolher de forma criteriosa os palestrantes. Desde o primeiro (esse ano é o 6º) o pessoal por trás das câmeras procuram escolher sempre os fotógrafos que além de serem os melhores, dominam as técnicas e sabem expressá-las. Além dos palestrantes, o evento conta com toda uma equipe para fazer o show acontecer, pessoas que fazem tudo para tudo acontecer antes, durante e depois do congresso.

Na entrevista, Danilo Russo também explica da importância de trazer fotógrafos internacionais para o congresso. É que aqui no Brasil, o Newborn Photo Conference existe há 6 anos (pioneiro), mas lá fora como Estados Unidos, Austrália, a temática é conhecida há pelo menos 15 anos. Então eles são mais experientes nesse sentido. Além de fotógrafos lá fora que são referência em fotografia Newborn para o mundo inteiro. E pensando nesse intercâmbio de informações aqui e lá que surge agora o Newborn Photo Conference Europe. Na intenção de intercambiar conhecimento, experiências, histórias, amizades e ampliar os horizontes do congresso (tudo isso com palestrantes brasileiros, italianos, americanos e ingleses).

O fundador do Newborn Photo Conference também conta das escolhas dos temas nas palestras, para que o congressista saia bem preparado para o mercado. Somente o tema Newborn não torna um fotógrafo um completo empreendedor, e por isso as temáticas se completam. Um cuidado que se estende por trás das câmeras também com os bebês que participam do evento, os modelos. O evento tem todo o cuidado necessários com os pequenos, e suas famílias, cuidados extras com a temperatura do ambiente, e fora o carinho com a família que se disponibiliza a participar do evento.

“Não adianta falar “tenham cuidado” e nós mesmos não termos. Por isso, apoiados pelos próprios palestrantes e pela Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-Nascidos elaboramos o conceito arquitetônico do “Estúdio Estufa, que é uma construção projetada para manter as condições de temperatura indicadas aos bebês em cima do palco.” Diz Danilo Russo.

Novas ideias e criatividade fazem parte dos objetivos do evento. Então nunca um ano vai ser igual ao outro, tendo isso no seu lema. Se você foi ano passado, com certeza esse ano você vai aprender coisas novas, ampliar os limites para a criatividade e se descontrair. O congresso tem diferentes estilos, visando os perfis socio-economico-culturais diferentes, o que nunca vai deixar existir uma padronagem nas palestras. Além disso, o evento segue as tendências e novidades, como Life Style ou fotografia Clean. E, para finalizar a entrevista, foi perguntado ao fundador do Newborn Photo Conference, Danilo Russo, porque os interessados não podem perder esse congresso, e ele deu dois motivos: 1 é o Networking (gente, concordo demais, experiência própria) e o outro é o conhecimento, você nunca sabe 100%, está sempre em processo de aprendizado na vida pessoal e profissional. E, claro, se você não poderá estar presente, tem sempre a opção virtual que te deixa participar da sua casa.

Para mais informações acesse http://newbornphotoconference.com.br/2016/

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Realizando e vivendo apenas sonhos

Olá, queridos seguidores! Acho que nunca usei o nosso querido Tem Na Fotografia para falar sobre a minha vida pessoal (não havia necessidade para isso e sou tímida nesse ponto). Agora venho aqui para falar apenas dos sonhos que estou realizando e vivendo: maternidade. No dia 4 desse mês (novembro) – 2015 – nasceu a minha bonequinha, minha florzinha, minha vida. E esse sonho me enche de novas vontades, novos projetos, novos olhares e sentimentos.

O Tem Na Fotografia está em pausa, por enquanto, por conta desse sonho que estou vivendo, mas em breve estaremos cheios de novos textos e olhares. Estou aproveitando esse momento para rever algumas questões que envolvem todos os projetos que participo e organizarei de forma mais precisa e organizada (será necessário).

Agradeço a paciência de todos, principalmente os participantes da categoria Fotografia da Semana (não deixem de mandar suas fotografias para flickr e instagram), pois a brincadeira continua e em breve estaremos trocando figurinha novamente!

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Minha bonequinha, linda, a Leia. A gente se vê em breve, pessoal.

Fotografia, a melhor forma de se comunicar

Nem todos os fotógrafos acreditam que fotografia é poesia, nem todos os fotógrafos acreditam que o mundo pode de mudar com belas fotografias com conteúdos significativo e histórico. Mas todos acreditam que se comunicam através da fotografia. Bom, talvez porque mais factual do que isso, impossível. Está na base da fotografia ser uma ferramenta de comunicação, uma linguagem não verbal. Uma forma de expressão que pode transmitir infinitas mensagens simbólicas em apenas uma única fotografia. Aquela famosa frase clichê que diz “uma fotografia vale mais do que mil palavras” se encaixa nessa linha de pensamento.

Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana

Expressar as opiniões ou a forma como vemos o mundo através de linguagens verbais, dependendo do conteúdo da mensagem, pode ser pesado. Talvez a palavra “pesado” não seja ideal ou eu não tenha sido clara. Mas vamos aos exemplos: Em um acontecimento marcante para a humanidade, escrever e expressar sentimentos (através de palavras) nem sempre é uma tarefa fácil, a fotografia pode transmitir zilhares de sentimentos reunidos em apenas um quadro, ela pode chocar e pode comover, pode causar até raiva ou simplesmente informar de forma mais clara sobre determinadas situações cuja linguagem verbal não alcançaria com tamanha precisão.

Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana

Calma, não quero absorver as correntes polêmicas flusserianas entrando nessa discussão entre o não verbal  e as linguagens verbais. Inclusive, acredito que em muitos momentos (como em fotografias jornalísticas) a fotografia é apenas um complemento do corpo da mensagem, algo como ilustrativo do que ali foi escrito (ao menos é assim que funciona no mercado jornalístico de hoje). Em contrapartida quando bem elaborada, uma fotografia pode ser a melhor forma de comunicação. Ou ao menos, deveria, afinal, devemos levar em conta que nos dias de hoje, encontramos poucas pessoas que sabem ler de fato, fotografias (e ainda completo dizendo que nem textos sabem ler).

Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana

Vamos fazer um teste? Escolha fotografias marcantes de um fotógrafo renomado que goste muito. Escolha umas cinco fotografias. Tente identificar o máximo de informação que você consegue em cada uma delas e as relações que uma tem com a outra. Agora, ordene essas fotografias, seja por cronologia de acontecimento ou por importância de conteúdo, ou até por temáticas. E reorganize essas informações. Depois de avaliar bastante cada fotografia dessas, escreva um texto e tente transmitir os sentimentos, os acontecimentos, como aquele tema pode se relacionar com situações que acontecem na nossa atual sociedade e política. E me conte como foi a sua experiência!

Esse teste serve tanto para avaliar sua capacidade de ler fotografias, como para treinar sua habilidade de registrar o mundo. Fica a dica!

Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana

E para você, fotógrafo, qual a melhor forma de se comunicar?

 

Somos ou não, todos fotógrafos?

A afirmativa “Somos todos um pouco fotógrafos” começa com a idea de que todos, nos dias de hoje (evolução tecnológica), possuem algum tipo de acesso à fotografia. Seja com câmeras compactas ou até mesmo com celulares. Todos produzem fotografias, todos os dias. Os cliques são inúmeros por minuto. Sejam eles das famosas selfies ou entre amigos, paisagens, festas, comidas e etc. Não pretendo aqui, julgar o conteúdo ou finalidade dessas fotografias, apenas a afirmativa.

Foto: Nicolas Ariel
Foto: Nicolas Ariel

Foto: Nicolas Ariel

Foto: Nicolas Ariel
Foto: Nicolas Ariel

Então, o que você acha? Parei um pouco para pensar e depois de algumas pesquisas e reflexões (além de esgotar meu marido com a discussão) lembrei do que discutimos sobre Barthes e suas afirmativas que a fotografia (e a sua facilidade de reprodução) causam um efeito objetivado nos nossos corpos. Você, provavelmente, está se perguntando o que tudo isso tem a ver. Acertei? Então, a medida em que todos usam da fotografia dessa mesma forma, aconteceu esse efeito de objetivação que Barthes discute em A Câmara Clara. Essa foi a primeira coisa que veio em minha cabeça. A segunda, foi existe um fator positivo gigantesco nessa prática (onde todos somos fotógrafos): com câmeras em mãos, todos podem experimentar a liberdade de se comunicar através de imagens, uma sensação maravilhosa, além de ser engrandecedor. Mesmo que muitos usem dessa ferramenta de comunicação de forma muito inconsciente, ainda assim, é muito válida.

Foto: Nicolas Ariel
Foto: Nicolas Ariel

Mas, em se tratando de mercado, essa afirmativa pode causar danos realmente significantes. Com essa afirmativa, muitos acabam por não valorizar os fotógrafos profissionais (aqueles que trabalham e ganham com/por isso). Eu mesma já ouvi de pessoas da família (olha a polêmica) “que hoje não se precisa mais contratar um fotógrafo para um aniversário, todos estarão com câmeras na mão substituindo essa atividade e assim, economizaremos”, é de partir o coração, não é? O que algumas pessoas não conseguem compreender é que essa afirmativa significa uma coisa totalmente diferente do que parece ser. Quando dizemos que “Todos somos, um pouco, fotógrafos” estamos querendo dizer que todos, além de observar o mundo, podemos fotografá-lo. Mas profissionalmente, com preparo, habilidades de enquadramento, visão, estudo, e muitos outros aspectos (não necessariamente equipamento, mas o domínio sobre ele, seja ele qual for), poucos o são. Inclusive, muitos fotógrafos profissionais ainda se encontram em fase de amadurecimento, alguns demoram mais outros menos para chegar em uma fase positiva da carreira.

Foto: Nicolas Ariel
Foto: Nicolas Ariel

Claro, minha intenção não é ser ativista ou criticar quem usa essa afirmativa, mas discutir a respeito. Afinal, com o Brasil em crise e os profissionais autônomos ralando para conseguir alguma coisa, desmistificar não faz mal a ninguém, não é mesmo? E cabe a nós, fotógrafos, nos utilizar disso como desafio (ou mais um). O mercado em si, já é um desafio, temos que sempre estar inovando, seja com equipamento ou técnicas se mostrar importantes para o mundo, como construtores de olhares e de mensagens, além de arquitetos da luz e muitos até artistas fotográficos é de extrema necessidade. E então, voltamos sempre para aquela discussão: qual será o futuro do fotógrafo? 

Foto: Nicolas Ariel
Foto: Nicolas Ariel

Tem Daguerreótipo para finalizar o mês da fotografia

 

Como sabem, o dia 19 de Agosto é o dia internacional da fotografia, então, para finalizar o mês da fotografia (agosto) fiz uma seleção super bacana de fotografias feitas com o famoso daguerreótipo (a primeira câmera fotográfica inventada por Daguerre – 1787 – 1851 pintor e físico francês) por vários fotógrafos de uma época em que a fotografia não era não fácil e nem possuía uma tecnologia leve para se carregar por aí. Então, aproveitamos e vamos fazer uma reflexão sobre nossa época e a fotografia que estamos produzindo, a comunicação que estamos gerando para o nosso tempo.

 

 

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Primeira fotografia que se tem notícia feito pelo seu inventor em 1837.

 

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Boulevard, Paris, em 1839 feito por Louis Jacques Daguerre
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Retratos com daguerre de 1855
Brady foi um fotógrafo que mudou-se para Nova Iorque com 16 anos para estudar daguerreótipo
Brady foi um fotógrafo que mudou-se para Nova Iorque com 16 anos para estudar daguerreótipo
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Índios botocudos retratados pelo daguerreótipos
O daguerreótipo abriu portas para a prática de fotografar entes queridos falecidos como se estivessem vivos
O daguerreótipo abriu portas para a prática de fotografar entes queridos falecidos como se estivessem vivos
 A prática do nú francês também se deu início com a facilidade fotográfica do daguerreótipo
A prática do nú francês também se deu início com a facilidade fotográfica do daguerreótipo

 

Gostaram da seleção? Viram o quão importante o daguerreótipo foi para a história da fotografia? Bem, essa seleção é ainda muito pequena para passar todas essas mensagens. Muitos fotógrafos da época se aproveitaram positivamente dessa prática que tanto amamos. Espero também ajudar àqueles que pesquisam sobre a história da fotografia, sei o quão difícil é achar algumas fotografias com um pouquinho de qualidade e informação reunida assim.

Seria a fotografia a culpada pela objetivação do corpo?

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Que o corpo na contemporaneidade, até mesmo na modernidade, vêm sendo tratado pelas mídias e pela sociedade como um objeto todos nós sabemos, mas seria a fotografia uma das culpadas? Essa minha reflexão vem da minha atual releitura do livro de Roland Barthes, A Câmara Clara (citação no final do texto). Não é a primeira vez que leio esse livro, como disse, acabei de reler agora (perdi as contas de quantas veze li) e sempre acho sensacional as reflexões que o semiólogo Barthes dá a existência da fotografia como um todo. A cada vez que leio carrego um tipo de reflexão, sempre gira em torno do que estou vivendo na época. Lembro que a primeira vez que li, ainda na faculdade por volta do ano de 2005 (tô velha, gente), carreguei a reflexão sobre fotografia ser ou não ser arte (tadinha de mim). Agora, absorvi de uma outra forma e avaliando o que estamos vivendo na banalização da imagem, levando em consideração as redes sociais (principalmente instagram e o snapchat (rede social que ainda não consegui entender), acabei carregando essa reflexão que agora vira um post. Lembrando que essas reflexões nunca carregam conclusões. Não sou louca, lunática, para não conseguir finalizar os textos, mas é que essa é a minha proposta: fazer pensar, fazer refletir.

Ainda nas primeiras páginas, Barthes cita a fotografia como uma ferramenta dessa tal objetivação do corpo. Antes da fotografia, os retratos eram pintados a mão em telas, o que tornavam as imagens, por assim dizer, únicas. Mesmo que uma pintura pudesse ser copiada por outro pintor, não era de grande quantidade, e eram usadas para pendurar em paredes, com o intuito de exposição familiar, recordação e história. A produção da fotografia em massa (uma dos temas favoritos de Walter Benjamin) perde esse equilíbrio e transforma a imagem em algo banal. Claro, estamos em uma época em que tudo é efêmero (inclusive notícias trágicas e mortes) assim como tudo acaba se tornando banal, de certa forma, vai muito da sensibilidade de cada conseguir captar o que uma fotografia quer comunicar, transmitir, envolver, animar.

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Alexander Gardner: Retrato de Lewis Payne, 1865. “Ele está morto e vai morrer” disse Barthes em “A Camara Clara”

Dentro da atual sociedade de consumo, acabamos consumindo de tudo. Até pensamentos, conteúdos, almas e espíritos. As fotografias não poderiam escapar. Para Barthes, quando somos fotografados, aquele instante morre e nasce em forma de fotografia. Aquela imagem daquele momento que jamais se repetirá de forma idêntica que a original, e ficou impresso alí, no papel, de uma forma que não só poderemos reviver aquele instante sempre que quisermos ao olharmos aquela fotografia, como também multiplicar aquela imagem quantas vezes quisermos.

As redes sociais acabam por favorecer essa tal banalização do eu. Estou aqui, em meu escritório escrevendo esse texto, e você aí, na sua casa ou trabalho ou na rua, ou até, no metrô, lendo. Estamos próximos e longes e um do outro. Mas você pode acompanhar tudo o que faço todos os dias em minhas redes sociais, me ver em fotografias com meus íntimos, meus momentos felizes, meus momentos únicos. Vamos trazer isso mais pra próximo agora: vamos falar de amigos? Depois que caiu no mercado para trabalhar feito cão e conseguir pagar suas contas, quanto de tempo você tem para ver e visitar seus amigos. Amigos de longas datas que acabam virando amigos apenas de redes sociais porque não temos tempo para comparecer a todos os eventos sociais que te marcam todos os dias nas próprias redes sociais. A imagem do seu amigo agora é virtual, banal, comercial, objetivada.

Mas ainda não sei se a fotografia tem culpa nisso. Acho que quem usou e usa até hoje a fotografia dessa forma (que também não culpo) acabou causando tudo isso. As pessoas que são as culpadas pelos comportamentos e não o comportamento que passou a existir sozinho. E como ainda vejo uma necessidade de muitos fotógrafos amadores e profissionais de transformarem a fotografia em algo muito maior (como realmente é e não como deveria ser), ainda não sei responder aquela pergunta famosa que diz “o que será da fotografia no futuro?”. Eu chuto respondendo “vai depender dos usuários”.

Autor: Henri Cartier-Bresson
Autor: Henri Cartier-Bresson

E você? O que acha? Da fotografia como ferramenta causadora da objetivação do corpo, do comportamento do fotógrafo no percurso da história e o futuro disso tudo?

 

 

(Barthes, Roland. “A câmara clara.” São Paulo: Nova Fronteira (1992)).

A importância da pesquisa para a prática da Fotografia

Muitos já se sentem fotógrafos adquirirem uma ótima câmera e acessórios do momento e acabam esquecendo o mais importante: a Pesquisa.  A melhor forma de aprender fotografia é fotografando, é chegando na exaustão da prática fotográfica, é sentindo a luz 24horas na pele, mas sem a consciência disso tudo, de nada vale, fica apenas o superficial da fotografia, sem conteúdo. Não estou aqui para falar sobre fotografia amadora e fotografia profissional, isso, todos já deveriam saber, estou aqui para um breve direcionado da fotografia como ela deveria ser.

Alguns lindos blogs sobre fotografia se baseiam em conhecimentos teóricos e práticos. O que é muito lindo. Na verdade, essas duas vertentes jamais deveriam se separar.  No caso da fotografia, acredito que uma vertente dessa não sobrevive sem a outra. Não tem como julgar, criticar uma prática sem praticá-la, ou julgar e criticar a beleza de uma imagem sem conteúdo. Um dos meus autores favoritos, Walter Benjamin, costumava dizer que os trabalhos artesanais (incluindo a fotografia) eram um tempo para contar, era um tempo em que se pensavam sobre suas práticas, sobre a vida e a consciência. Hoje, vivemos em um mundo de vidro, apático, apenas cheios de técnicas.

Esse pequeno post é apenas para dar abertura a essa categoria que reunirá pesquisa, autores, livros e outras formas de pensar sobre fotografia, quem quiser participar é só correr na aba de contato aqui do TNF e mandar suas sugestões ou experiências a respeito!

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Seria a cultura do consumo a responsável pelo consumo de imagens?

Já não é novidade para ninguém que vivemos em uma cultura do consumo que já impregnou em nosso cerne. Também não é novidade para ninguém que, por mais que eu tente, eu jamais deixarei de ser uma consumista. Muitos não vivem sem o consumo excessivo, sem as futilidades que carregam consigo suas logomarcas envolventes criadas por propagandas publicitárias com triplos sentidos. Um sanduiche jamais será apenas um sanduiche em uma campanha publicitária, um sanduiche é aquilo que eu “amo muito tudo isso”. Ou um creme hidratante para a pele, representado pela belíssima Gisele Bündchen em uma propaganda que se torna aquilo que te dá “segurança”.

O mesmo assunto que entrou em voga em 1990 e  hoje em dia volta em questão por necessidade humana, por vontade das pessoas quererem ser mais voltadas aos valores humanos. E por isso, também, a grande procura por Yoga, práticas de meditação, novos estilos de vida e outros exemplos mais que não caberiam nesse post.  O mesmo assunto que envolve questões como infância, adolescência, violência, política e etc, é um assunto que está em que ainda vai dar muito o que falar puxando para essa vertente dos que querem fugir dela.

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Mas seria essa tal cultura do consumo a responsável pelo exacerbado consumo de imagens? As pessoas hoje não páram de consumir um minuto sequer, todos os tipos de produtos. A todo instante temos acesso ao consumo, e de forma cada mais fácil e prática. Seja por e-mail, e-commerce,  facilidades nas formas de pagamentos, e outros tantos fatores que facilitam as compras onde quer que esteja, sem precisar levantar da cama, do sofá ou da sala do escritório. E da mesma forma consumimos imagens a todos os instantes, por todos os lados. Quando não vemos uma fotografia carregar no facebook, bate logo uma agonia. Entrar no instagram e não parar um segundo sequer em uma fotografia antes de dar double click é um clássico jeito de consumir imagens de forma exagerada.

Mês passado me deparei com a frase de Sebastião Salgado que afirmava estarmos caminhando para o fim da fotografia (um tema que gerou uma reflexão que comentarei em outro momento), que produzimos e consumimos muitas “imagens”, mas “fotografias”, não. Você consegue enxergar a diferença? Você percebe como estamos absorvendo muito conteúdo imagético desnecessário e, principalmente, exagerado? Quais são os conteúdos principais das fotografias que você gosta de curtir e ver na sua timeline, ou que você gosta de ver nos jornais e revistas? E melhor, você consegue “ler” essas imagens? Você consegue interpretá-las?

Deixo essa reflexão em aberto para os próximos capítulos.