Como você lida com a crise no mercado fotográfico?

Então, como você lida com a crise no mercado fotográfico?

Eu passeie estou passando por várias crises, minha fase e momento são delicados, ainda estou aprendendo e reaprendendo a lidar com muitas questões específicas na minha vida. A crise no mercado é absurda, todos estão passando dificuldades, e com todos os acontecimentos políticos, desastres econômicos, BUM, quebrou minhas pernas. Eu, Helosa, estou aprendendo a lidar. E por isso, também, demorei a voltar pra cá, pro nosso TNF.

Por várias vezes pensei em mudar de profissão, de área, busquei nos amigos uma forma de apoio, até perceber que o problema existe, mas está em todos os lugares, não apenas em mim. Ou seja, a fotografia ainda pode ter força. A fotografia pode resistir, eu posso, você pode.

O quê, afinal, precisamos fazer para sobreviver?

Marketing. Yes! A comunicação é o grande X da questão. Eu resolvi estudar marketing para aplicar a minha empresa. Trabalhar de forma objetiva as minhas comunicações, direcionar meu trabalho pro mercado, pros meus clientes, fazer acontecer.  Vamos ver no que dar. Vou contando pra vocês, aqui e no meu site pessoal como as coisas vão indo.

Queria deixar o espaço aqui disponível para que vocês contem das experiências de vocês. Como estão passando por essa crise, se acredita ou não nela, e quais suas estratégias.

até a próxima

 

Tem Na Fotografia está de volta!

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O Tem Na Fotografia, após pouco mais de 1 ano, está de volta!

Houve uma outra tentativa de retorno, antes dessa, sem sucesso. Eu não estava preparada. Primeiro, a maternidade, depois, trabalho e maternidade, logo em seguida, mais uma crise na fotografia, aliás, crise em mim. Dessa vez, foi séria, severa. Pensei e penso em desistir. Se manter no mercado com a fotografia já não é como antes, tenho uma filha, preciso de segurança. Gosto de segurança, coisas certas. Então, estou nessa fase, procurando me encontrar. O Tem Na Fotografia precisava voltar, senti falta dele, e recebi alguns emails de leitores queridos sentindo falta, chegou a hora. Estou cheia de ideias, mas não quero divulga-las enquanto não tiver certeza que conseguirei cumpri-las. Espero que gostem do meu novo, eu, do novo ano do Tem Na Fotografia.

Quem mais tá em crise, aí? Me conta, quem sabe vira um post!

Fotografia, a melhor forma de se comunicar

Nem todos os fotógrafos acreditam que fotografia é poesia, nem todos os fotógrafos acreditam que o mundo pode de mudar com belas fotografias com conteúdos significativo e histórico. Mas todos acreditam que se comunicam através da fotografia. Bom, talvez porque mais factual do que isso, impossível. Está na base da fotografia ser uma ferramenta de comunicação, uma linguagem não verbal. Uma forma de expressão que pode transmitir infinitas mensagens simbólicas em apenas uma única fotografia. Aquela famosa frase clichê que diz “uma fotografia vale mais do que mil palavras” se encaixa nessa linha de pensamento.

Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana

Expressar as opiniões ou a forma como vemos o mundo através de linguagens verbais, dependendo do conteúdo da mensagem, pode ser pesado. Talvez a palavra “pesado” não seja ideal ou eu não tenha sido clara. Mas vamos aos exemplos: Em um acontecimento marcante para a humanidade, escrever e expressar sentimentos (através de palavras) nem sempre é uma tarefa fácil, a fotografia pode transmitir zilhares de sentimentos reunidos em apenas um quadro, ela pode chocar e pode comover, pode causar até raiva ou simplesmente informar de forma mais clara sobre determinadas situações cuja linguagem verbal não alcançaria com tamanha precisão.

Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana

Calma, não quero absorver as correntes polêmicas flusserianas entrando nessa discussão entre o não verbal  e as linguagens verbais. Inclusive, acredito que em muitos momentos (como em fotografias jornalísticas) a fotografia é apenas um complemento do corpo da mensagem, algo como ilustrativo do que ali foi escrito (ao menos é assim que funciona no mercado jornalístico de hoje). Em contrapartida quando bem elaborada, uma fotografia pode ser a melhor forma de comunicação. Ou ao menos, deveria, afinal, devemos levar em conta que nos dias de hoje, encontramos poucas pessoas que sabem ler de fato, fotografias (e ainda completo dizendo que nem textos sabem ler).

Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana

Vamos fazer um teste? Escolha fotografias marcantes de um fotógrafo renomado que goste muito. Escolha umas cinco fotografias. Tente identificar o máximo de informação que você consegue em cada uma delas e as relações que uma tem com a outra. Agora, ordene essas fotografias, seja por cronologia de acontecimento ou por importância de conteúdo, ou até por temáticas. E reorganize essas informações. Depois de avaliar bastante cada fotografia dessas, escreva um texto e tente transmitir os sentimentos, os acontecimentos, como aquele tema pode se relacionar com situações que acontecem na nossa atual sociedade e política. E me conte como foi a sua experiência!

Esse teste serve tanto para avaliar sua capacidade de ler fotografias, como para treinar sua habilidade de registrar o mundo. Fica a dica!

Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana
Autor: Tiago Santana

E para você, fotógrafo, qual a melhor forma de se comunicar?

 

Somos ou não, todos fotógrafos?

A afirmativa “Somos todos um pouco fotógrafos” começa com a idea de que todos, nos dias de hoje (evolução tecnológica), possuem algum tipo de acesso à fotografia. Seja com câmeras compactas ou até mesmo com celulares. Todos produzem fotografias, todos os dias. Os cliques são inúmeros por minuto. Sejam eles das famosas selfies ou entre amigos, paisagens, festas, comidas e etc. Não pretendo aqui, julgar o conteúdo ou finalidade dessas fotografias, apenas a afirmativa.

Foto: Nicolas Ariel
Foto: Nicolas Ariel

Foto: Nicolas Ariel

Foto: Nicolas Ariel
Foto: Nicolas Ariel

Então, o que você acha? Parei um pouco para pensar e depois de algumas pesquisas e reflexões (além de esgotar meu marido com a discussão) lembrei do que discutimos sobre Barthes e suas afirmativas que a fotografia (e a sua facilidade de reprodução) causam um efeito objetivado nos nossos corpos. Você, provavelmente, está se perguntando o que tudo isso tem a ver. Acertei? Então, a medida em que todos usam da fotografia dessa mesma forma, aconteceu esse efeito de objetivação que Barthes discute em A Câmara Clara. Essa foi a primeira coisa que veio em minha cabeça. A segunda, foi existe um fator positivo gigantesco nessa prática (onde todos somos fotógrafos): com câmeras em mãos, todos podem experimentar a liberdade de se comunicar através de imagens, uma sensação maravilhosa, além de ser engrandecedor. Mesmo que muitos usem dessa ferramenta de comunicação de forma muito inconsciente, ainda assim, é muito válida.

Foto: Nicolas Ariel
Foto: Nicolas Ariel

Mas, em se tratando de mercado, essa afirmativa pode causar danos realmente significantes. Com essa afirmativa, muitos acabam por não valorizar os fotógrafos profissionais (aqueles que trabalham e ganham com/por isso). Eu mesma já ouvi de pessoas da família (olha a polêmica) “que hoje não se precisa mais contratar um fotógrafo para um aniversário, todos estarão com câmeras na mão substituindo essa atividade e assim, economizaremos”, é de partir o coração, não é? O que algumas pessoas não conseguem compreender é que essa afirmativa significa uma coisa totalmente diferente do que parece ser. Quando dizemos que “Todos somos, um pouco, fotógrafos” estamos querendo dizer que todos, além de observar o mundo, podemos fotografá-lo. Mas profissionalmente, com preparo, habilidades de enquadramento, visão, estudo, e muitos outros aspectos (não necessariamente equipamento, mas o domínio sobre ele, seja ele qual for), poucos o são. Inclusive, muitos fotógrafos profissionais ainda se encontram em fase de amadurecimento, alguns demoram mais outros menos para chegar em uma fase positiva da carreira.

Foto: Nicolas Ariel
Foto: Nicolas Ariel

Claro, minha intenção não é ser ativista ou criticar quem usa essa afirmativa, mas discutir a respeito. Afinal, com o Brasil em crise e os profissionais autônomos ralando para conseguir alguma coisa, desmistificar não faz mal a ninguém, não é mesmo? E cabe a nós, fotógrafos, nos utilizar disso como desafio (ou mais um). O mercado em si, já é um desafio, temos que sempre estar inovando, seja com equipamento ou técnicas se mostrar importantes para o mundo, como construtores de olhares e de mensagens, além de arquitetos da luz e muitos até artistas fotográficos é de extrema necessidade. E então, voltamos sempre para aquela discussão: qual será o futuro do fotógrafo? 

Foto: Nicolas Ariel
Foto: Nicolas Ariel

Seria a fotografia a culpada pela objetivação do corpo?

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Que o corpo na contemporaneidade, até mesmo na modernidade, vêm sendo tratado pelas mídias e pela sociedade como um objeto todos nós sabemos, mas seria a fotografia uma das culpadas? Essa minha reflexão vem da minha atual releitura do livro de Roland Barthes, A Câmara Clara (citação no final do texto). Não é a primeira vez que leio esse livro, como disse, acabei de reler agora (perdi as contas de quantas veze li) e sempre acho sensacional as reflexões que o semiólogo Barthes dá a existência da fotografia como um todo. A cada vez que leio carrego um tipo de reflexão, sempre gira em torno do que estou vivendo na época. Lembro que a primeira vez que li, ainda na faculdade por volta do ano de 2005 (tô velha, gente), carreguei a reflexão sobre fotografia ser ou não ser arte (tadinha de mim). Agora, absorvi de uma outra forma e avaliando o que estamos vivendo na banalização da imagem, levando em consideração as redes sociais (principalmente instagram e o snapchat (rede social que ainda não consegui entender), acabei carregando essa reflexão que agora vira um post. Lembrando que essas reflexões nunca carregam conclusões. Não sou louca, lunática, para não conseguir finalizar os textos, mas é que essa é a minha proposta: fazer pensar, fazer refletir.

Ainda nas primeiras páginas, Barthes cita a fotografia como uma ferramenta dessa tal objetivação do corpo. Antes da fotografia, os retratos eram pintados a mão em telas, o que tornavam as imagens, por assim dizer, únicas. Mesmo que uma pintura pudesse ser copiada por outro pintor, não era de grande quantidade, e eram usadas para pendurar em paredes, com o intuito de exposição familiar, recordação e história. A produção da fotografia em massa (uma dos temas favoritos de Walter Benjamin) perde esse equilíbrio e transforma a imagem em algo banal. Claro, estamos em uma época em que tudo é efêmero (inclusive notícias trágicas e mortes) assim como tudo acaba se tornando banal, de certa forma, vai muito da sensibilidade de cada conseguir captar o que uma fotografia quer comunicar, transmitir, envolver, animar.

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Alexander Gardner: Retrato de Lewis Payne, 1865. “Ele está morto e vai morrer” disse Barthes em “A Camara Clara”

Dentro da atual sociedade de consumo, acabamos consumindo de tudo. Até pensamentos, conteúdos, almas e espíritos. As fotografias não poderiam escapar. Para Barthes, quando somos fotografados, aquele instante morre e nasce em forma de fotografia. Aquela imagem daquele momento que jamais se repetirá de forma idêntica que a original, e ficou impresso alí, no papel, de uma forma que não só poderemos reviver aquele instante sempre que quisermos ao olharmos aquela fotografia, como também multiplicar aquela imagem quantas vezes quisermos.

As redes sociais acabam por favorecer essa tal banalização do eu. Estou aqui, em meu escritório escrevendo esse texto, e você aí, na sua casa ou trabalho ou na rua, ou até, no metrô, lendo. Estamos próximos e longes e um do outro. Mas você pode acompanhar tudo o que faço todos os dias em minhas redes sociais, me ver em fotografias com meus íntimos, meus momentos felizes, meus momentos únicos. Vamos trazer isso mais pra próximo agora: vamos falar de amigos? Depois que caiu no mercado para trabalhar feito cão e conseguir pagar suas contas, quanto de tempo você tem para ver e visitar seus amigos. Amigos de longas datas que acabam virando amigos apenas de redes sociais porque não temos tempo para comparecer a todos os eventos sociais que te marcam todos os dias nas próprias redes sociais. A imagem do seu amigo agora é virtual, banal, comercial, objetivada.

Mas ainda não sei se a fotografia tem culpa nisso. Acho que quem usou e usa até hoje a fotografia dessa forma (que também não culpo) acabou causando tudo isso. As pessoas que são as culpadas pelos comportamentos e não o comportamento que passou a existir sozinho. E como ainda vejo uma necessidade de muitos fotógrafos amadores e profissionais de transformarem a fotografia em algo muito maior (como realmente é e não como deveria ser), ainda não sei responder aquela pergunta famosa que diz “o que será da fotografia no futuro?”. Eu chuto respondendo “vai depender dos usuários”.

Autor: Henri Cartier-Bresson
Autor: Henri Cartier-Bresson

E você? O que acha? Da fotografia como ferramenta causadora da objetivação do corpo, do comportamento do fotógrafo no percurso da história e o futuro disso tudo?

 

 

(Barthes, Roland. “A câmara clara.” São Paulo: Nova Fronteira (1992)).

A importância da pesquisa para a prática da Fotografia

Muitos já se sentem fotógrafos adquirirem uma ótima câmera e acessórios do momento e acabam esquecendo o mais importante: a Pesquisa.  A melhor forma de aprender fotografia é fotografando, é chegando na exaustão da prática fotográfica, é sentindo a luz 24horas na pele, mas sem a consciência disso tudo, de nada vale, fica apenas o superficial da fotografia, sem conteúdo. Não estou aqui para falar sobre fotografia amadora e fotografia profissional, isso, todos já deveriam saber, estou aqui para um breve direcionado da fotografia como ela deveria ser.

Alguns lindos blogs sobre fotografia se baseiam em conhecimentos teóricos e práticos. O que é muito lindo. Na verdade, essas duas vertentes jamais deveriam se separar.  No caso da fotografia, acredito que uma vertente dessa não sobrevive sem a outra. Não tem como julgar, criticar uma prática sem praticá-la, ou julgar e criticar a beleza de uma imagem sem conteúdo. Um dos meus autores favoritos, Walter Benjamin, costumava dizer que os trabalhos artesanais (incluindo a fotografia) eram um tempo para contar, era um tempo em que se pensavam sobre suas práticas, sobre a vida e a consciência. Hoje, vivemos em um mundo de vidro, apático, apenas cheios de técnicas.

Esse pequeno post é apenas para dar abertura a essa categoria que reunirá pesquisa, autores, livros e outras formas de pensar sobre fotografia, quem quiser participar é só correr na aba de contato aqui do TNF e mandar suas sugestões ou experiências a respeito!

pesquisa para a fotografia

Seria a cultura do consumo a responsável pelo consumo de imagens?

Já não é novidade para ninguém que vivemos em uma cultura do consumo que já impregnou em nosso cerne. Também não é novidade para ninguém que, por mais que eu tente, eu jamais deixarei de ser uma consumista. Muitos não vivem sem o consumo excessivo, sem as futilidades que carregam consigo suas logomarcas envolventes criadas por propagandas publicitárias com triplos sentidos. Um sanduiche jamais será apenas um sanduiche em uma campanha publicitária, um sanduiche é aquilo que eu “amo muito tudo isso”. Ou um creme hidratante para a pele, representado pela belíssima Gisele Bündchen em uma propaganda que se torna aquilo que te dá “segurança”.

O mesmo assunto que entrou em voga em 1990 e  hoje em dia volta em questão por necessidade humana, por vontade das pessoas quererem ser mais voltadas aos valores humanos. E por isso, também, a grande procura por Yoga, práticas de meditação, novos estilos de vida e outros exemplos mais que não caberiam nesse post.  O mesmo assunto que envolve questões como infância, adolescência, violência, política e etc, é um assunto que está em que ainda vai dar muito o que falar puxando para essa vertente dos que querem fugir dela.

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Mas seria essa tal cultura do consumo a responsável pelo exacerbado consumo de imagens? As pessoas hoje não páram de consumir um minuto sequer, todos os tipos de produtos. A todo instante temos acesso ao consumo, e de forma cada mais fácil e prática. Seja por e-mail, e-commerce,  facilidades nas formas de pagamentos, e outros tantos fatores que facilitam as compras onde quer que esteja, sem precisar levantar da cama, do sofá ou da sala do escritório. E da mesma forma consumimos imagens a todos os instantes, por todos os lados. Quando não vemos uma fotografia carregar no facebook, bate logo uma agonia. Entrar no instagram e não parar um segundo sequer em uma fotografia antes de dar double click é um clássico jeito de consumir imagens de forma exagerada.

Mês passado me deparei com a frase de Sebastião Salgado que afirmava estarmos caminhando para o fim da fotografia (um tema que gerou uma reflexão que comentarei em outro momento), que produzimos e consumimos muitas “imagens”, mas “fotografias”, não. Você consegue enxergar a diferença? Você percebe como estamos absorvendo muito conteúdo imagético desnecessário e, principalmente, exagerado? Quais são os conteúdos principais das fotografias que você gosta de curtir e ver na sua timeline, ou que você gosta de ver nos jornais e revistas? E melhor, você consegue “ler” essas imagens? Você consegue interpretá-las?

Deixo essa reflexão em aberto para os próximos capítulos.

Sobre a fotografia e o mundo codificado

Saber analisar uma boa fotografia é compreender a fotografia e o mundo codificado. Há alguns meses decidi entrar de cabeça nos estudos sobre os códigos, ou melhor, sobre semiótica (ciência dos códigos). E como tudo que faço está diretamente envolvido com a fotografia, resolvi estudar os códigos fotográficos. Em meio a essas pesquisas, me deparo com um autor sensacional do mundo codificado: Vilém Flusser. Autor este que está me deixando cada vez mais apaixonada pelo tema e é sempre um prazer analisar colocando em prática seus conhecimentos. Resolvi dedicar um pouco do meu tempo para dividir com vocês as minhas primeiras observações.

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O altar de Lampião – Autor desconhecido

 

A Fotografia e o mundo codificado: abra e fecha os olhos

É interessante como só o fato de paramos para pensar na fotografia e o mundo codificado nos faz abrir e fechar os olhos muitas e muitas vezes. Se imaginarmos que cada fotografia produzida contém inúmeros códigos, podemos até enlouquecer de curiosidade para interpretá-los, quem dirá se imaginarmos o mundo inteiro codificado. Então, vamos pensar de modo prático sobre esse tema. Primeira lição semiótica da fotografia: Uma fotografia ou uma imagem nunca é a realidade, e sim a representação de algo que possivelmente aconteceu. Pensando dessa forma, já podemos abstrair muitos outros pensamentos e deixando surgir questões como “A fotografia pode ou não pode ser o testemunho de um real?”, “O que é realidade fotográfica?”, “Como acreditar que uma determinada imagem é ou não é o tal testemunho de que algo aconteceu?” e inúmeras outras perguntas que nascem a partir dessa afirmação. Segunda lição: A fotografia é uma superfície que contém elementos codificados. Mas não estou falando de qualquer fotografias (como os famosos selfies), falo das fotografias produzidas com sentido, com o propósito de comunicar para alguém alguma coisa.

Esse texto tem apenas o objetivo de fazer refletir. Vou aproveitar para deixar algumas dicas  de como observar melhor as fotografias que te rodeiam, e como usar disso para melhorar o seu trabalho. Eu sei que não temos muito tempo para ficar pensando na vida, afinal, tempo é realmente dinheiro, mas, vale a pena a reflexão, é algo que pode dar consistência ao seu olhar. Então:  Observe o seu trabalho, feche os olhos e imagine aquela fotografia que você fez, que te ajudou de alguma forma, ou um conjunto de imagens que te inspirem. Pense e observe sempre que possível, qualquer imagem que te chamar a atenção, e reflita: Por que ela te prende a atenção? Por qual ponto chave ela te prende mais? Por quais caminhos você percorreu?  A intenção é analisar o seu ponto de vista, o seu subjetivo. Então não tenha medo. Quanto mais você observar e analisar o seu subjetivo, mais afiado você ficará na hora de clicar. Teste e me conte, combinado?

Imagens vistas de satélite são perfeitos papeis de parede

Imagens vistas de satélite são usadas em papel de parede de Smartphones. Devo admitir que, o que as pessoas estão usando como wallpapers, não me interessa, não mesmo, a parte que me toca são mesmo as abstrações.

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Imagens vistas de satélite viram abstrações usadas como wallpapers

As várias formas de gerar imagens já é algo que me deixa apaixonada (um score para a tecnologia), os satélites estão cada vez mais fazendo o seu trabalho com equipamentos cada vez mais inovadores que nem mesmo o fotógrafo mais atualizado tem acesso. Essas abstrações que são geradas a partir de imagens vistas de satélites são perfeitas guestalts geradas por pedacinhos de um universo. A utilização (e o incentivo) dessas imagens como wallpapers pode vir a ser uma forma de valorização, mas ao mesmo tempo banaliza. As pessoas não ficam mais surpresas com nenhum tipo de imagem nem novas formas de tecnologias para captar imagens, efemerizou.

O que podemos fazer é criar grupos e formas de discussão sobre os temas. O que acham?

O futuro da fotografia é o video?

Eis que surge a indagação: O futuro da fotografia é o video? Do analógico ao digital, do estático ao movimento, é assim mesmo que a evolução imagética continuará seu percurso? Tudo indica que a resposta é sim. Há aproximadamente 5 anos ouvi esse comentário de um professor, que “o futuro da fotografia é o vídeo” e fiquei imaginando que esse futuro seria para, talvez, meus filhos. Eu realmente não imaginei que esse futuro estaria mais próximo do eu imaginava.

O futuro da fotografia é o video?

O próprio título ‘o futuro da fotografia’ já remete a muitas questões, inclusive política. Adicionando na mesma questão do video, quando a pergunta torna-se ‘o futuro da fotografia é o video?’ a polêmica aumenta um pouquinho mais. Eis que o jornal em que eu trabalho está passando por agumas mudanças, alguns ajustes, e surge essa pequena possibilidade ‘dos fotógrafos também capturarem videos’. As câmeras dão essa abertura, elas fotografam e filmam, gerando essa possibilidade de uma dupla função.

Não é só na empresa em que eu trabalho que esta mudança está ocorrendo. O fotojornalismo em si está em crise. Assim como a sociedade inteira. O efeito instantâneo da fotografia gerou uma série de fatores que somente daqui há alguns poucos anos saberemos descrever com mais precisão. Inserir o video nessa crise, é como dar um valor maior a preguiça que o espectador tem de ler matérias. Com o video, o texto pode ficar menos valorizado, já que o efeito “mistério” causado pela fotografia não acontece da mesma forma no video. São muitas questões que ainda não consegui assimilar, para falar a verdade. E que se eu por todas elas em um só texto, ficará confuso, for sure.

O que sabemos é que o video, assim como a fotografia é um documento, é uma fonte de pesquisa e assim e comprova acontecimentos. Por mais que tenha possibilidades de edição, o vídeo também é prova de histórias e assim, narra por si experiências.

Podemos esperar com essas futuras próximas mudanças, que em breve, o instantâneo vai passar a ser mais sagrado, com um valor a mais, visto que estaremos cercados por videos. O que seria muito bom, não é mesmo? Você consegue imaginar tudo isso? O mundo em que vivemos é feito de imagens, sejam elas estáticas ou em movimento, o que muda são as formas do produzir, a postura e as linguagens, que em seguida, mostra o comportamento coletivo como consequência.

Meus colegas de trabalho estão dividos em diversas opiniões, e assim eu ainda continuo a pesquisar sobre o assunto, avaliando a essa pergunta que eu ainda não sei responder. Espero que o futuro da fotografia seja, ainda, a fotografia. Assim como o video, seja video. E que ambos andem de mãos dadas. Vamos deixar o tema em aberto para novos pensamentos e opiniões. Mande as suas, e discutiremos.

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PHOTOGRAPHERS… por Azli Jamil