Fotobiografia de Richard Avedon

Richard Avedon passou pouquíssimo por aqui, incrível, sempre penso que falo/escrevo demais sobre os fotógrafos históricos. Richard Avedon é daqueles caras que não podem faltar quando for mencionar a história da moda, ou a história da fotografia. Nascido dia 15 de Maio de 1923 (há 92 anos atrás), em San Antonio (Texas), Richard Avedon era filho de fotógrafo russo (Jacob Israel Avedon) – incrível como existiam fotógrafos naquela época – mas, talvez, por falta de faculdades direcionadas naquela época, Richard Avedon optou por estudar filosofia na Universidade de Columbia de Nova Iorque, não chegou a concluir. De acordo com os textos que li, o seu caminho a Nova Iorque foi ainda mais importante do que estudar filosofia.

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Muito provavelmente, Richard Avedon já sabia o que queria. Com apenas 18 anos, tornou-se co-editor da revista The Magpiecom uma pausa entre seus 19 e 21 anos (anos em que cumpriu serviço militar – típico estilo americano), e foi estudar em New School for Social Research.  Aos 22 anos já era fotógrafo da Harper’s Bazaar, e antes de completar 27 anos já tinha fotografado para revista Vogue.  E quando a gente pensa que sua história havia acabado, é aí que ela começa; aos 37 anos, Richard Avedon dirigiu a fotografia e trabalhou como consultor visual do filme Funny Face (de Stanley Donen), filme que foi nomeado a 4 Óscar’s da academia de Hollywood (um filme que tinha somente Audrey Hepburn e Fred Astaire nos papeis principais).

Incrível como as coisas aconteceram para Richard Avedon, na verdade, não tão incrível assim, ele tinham mesmo o famoso don da fotografia. Aos 35 anos, já tinha sido nomeado pela Popular Photography como um dos 10 melhor fotógrafos do mundo. Que fotógrafo com essa idade já alcançou essa nomeação nos dias de hoje? E pensar que só faltam 5 anos para eu chegar nessa idade e ainda (AINDA) nem pisei na Vogue NY.

O seu trabalho passou a ser desejado, desejado pelas maiores marcas do mundo fashion, desejado pelas principais celebridades e, claro, pelas revistas. Todos queriam ser clicados pelo Richard Avedon. Mas não foi só disso que se tratou o seu trabalho; ele também se dedicou a movimentos antiguerra, aos 37 anos, fotografou no Vietnan aos 47 anos. Livros publicados, muitas exposições. Richard Avedon teve uma vida bastante agitada, desde o momento em que deu seus primeiros passos, até o momento de seu falecimento.

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A fotografia mais conhecida de Richard Avedon foi a intitulada “Dowima with Elephants” de 1955.

No dia 01 de Outubro de 2004, 81 anos enquanto fazia um trabalho para a revista The New Yorker, onde fassou messes fotografando celebridades e políticos da época, Richard Avedon sofreu um derrame cerebral que causava sua morta. Na sua cidade natal, San Antonio.

avedon_01ele2vv3richard-avedon-photographing-the-soul-1366521345_bRichard-Avedon-Place-de-la-Concorde“A fotografia é uma arte triste, pois perece, mas ainda assim permanece.” Richard Avedon

http://www.avedonfoundation.org/

Leica ‘100’ : O melhor video de todos os tempos

Leica ‘100’ : O melhor video de todos os tempos, sem dúvida alguma! Em homenagem aos 100 anos de fotografia leica, foi produzido um video com dois minutos de fotografia que resume 30 fotografias históricas. De todos os videos sobre fotografia, Leica ‘100’ é o melhor, é com toda certeza, os dois minutos mais bem aproveitados da minha vida (com relação a videos).  A união mais perfeita que já existiu em 30 fotografias históricas produzidas por fotógrafos renomados da história da fotografia. Se você gosta de estudar fotografia, então você vai se sentir familiarizado com cada frame desse belíssimo video. Vou deixar a minha dramaticidade contagiante de lado, e passo a bola para você me dizer o que acha esse video em comemoração de 100 anos de fotografia da Leica.

Fotobiografia de August Sander

Meu primeiro contato com August Sander foi em um dos livros de Walter Benjamin(meu ensaista favorito),e então, quando resolvi dividir minhas pesquisas por aqui, fui atras de mais fontes, geralmente as fontes virtuais se basseiam na famosa wikipédia, o que além de não ser muito confiável ficam todos muito parecidos, então, vou tentar ser ao máximo suncinta para falar desse famoso fotógrafo alemão em

Fotobiografia de August Sander

Agust Sander

August Sander nasceu na alemanha no dia 17 de novembro (escorpiano) de 1876, basicamente, ele nasceu apenas 37 anos após do surgimento do Daguerreótipo (isso é muito pouco tempo) e não teve uma vida fácil, ajudava seu pai carpitando em minas, e de acordo com fontes virtuais, August Sander aprendeu a fotografar ajudando um fotógrafo que trabalhava para a empresa mineira. Com o apoio financeiro do seu tio, Sander compra seu primeiro equipamento fotográfico, sua primeira câmera escura. Em 1897 entrou para o serviço militar como assistente de fotografia. Ele não foi um rapaz da nobreza ou realeza com acesso a estudos e livros, nem um jovem burgues que podia ter todas as câmera que queria apenas para experimentar, isso é fato. Ele foi um jovem humilde apaixonado pela magia da arte de fotografar – que na época existia.

Ainda muito jovem, August Sander monta o seu próprio estudio, uma espécie de quarto escuro, na verdade, para revelar suas fotografias. Em todas as fontes que pesquisei, August Sander se dedicou a uma variedade de categorias da fotografia (talvez ele tenha mesmo tentando ganhar dinheiro com isso, o que não é nada ousado para aquela época, visto que os retratistas pintores logo adiquiriram suas câmeras para se adequar ao “mercado”) mas, a que teve mais destaque foram os retratos. O que acaba sendo impossível de não lembrar de Diane Arbus. Retratos que mostram todos os tipos e características de pessoas, tamanhos, profissões (que inclusive, são dessas fotografias que Walter Benjamin fala e usa August Sander como referência para falar das mudanças na sociedade quando “a fotografia substituiu a pintura”, quando muitos pintores partiram para fotografia para ganhar dinheiro, mas August Sander se destatou, por retratar de forma indiscriminada muitas pessoas) em um estilo quase poético.

Tudo aconteceu em 1920, quando Sander se junta a um grupo chamado Group of Progressive Artists na Colônia, foi quando ele teve essa ideia de documentar a sociedade e usando o retrato como sua principal ferramenta. Aproveito esse momento para dizer que em todas as fontes de pesquisas que encontrei, o histórico de Sander é bastante vasto, com muitas informações e publicações, o que deixa qualquer biografia confusa (principalmente com relação a datas). De acordo com seu site, o seu primeiro livro intitulado Face of Our Time (com 60 fotografias baseadas nessa ideia iniciada em 1920) foi publicado em 1929 fazendo do Sander o maior retratista do século XX. E provavelmente foi.

Como já mencionei, August Sander foi um homem desprovido de berços de ouro, e se prestaram bem atenção estamos falando de uma época muito conturbada, um alemão, documenta rostos de pessoas normais (incluindo judeus). É claro que em boa coisa não ía dar. Em 1936 seu livro foi apreendido, assim como o filho de Sander, que era de esquerda, foi preso e morto em 1944. O seu envolvimento com a história foi muito mais limpa e injustiçada do que se possa imaginar, em 1942 Sander deixa a Colônia e foi para uma área rural e teve o seu estúdeo bombardeado em um ataque. Como já comentei, muitos dados perdidos, muitas fontes ainda confusas, e não é a toa. August Sander serve de exemplo e fonte de inspiração para fotógrafos de todas as categorias.

Em 1945 uma série com mais de 40mil fotografias foi publicada com o nome People of the 20th Century , talvez, o trabalho mais conhecido de Sander. O que restou para ser deixado à história (com provas). E é o que vamos tentar conferir. Vamos às suas fotografias? Reparem nas semelhanças com o estilo de Diane Arbus. É apaixonante. Enjoy!

August Sander

August Sander

August Sander

August Sander

August Sander

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Fotobiografia de Chico Albuquerque

Essa Fotobiografia de Chico Albuquerque vem para quebrar um pouco o gelo que vem passando nos últimos tempos. A verdade é que a copa do mundo ocupou demais o tempo dessa pessoa que aqui escreve não deixando sobrar nenhum tempinho sequer para passar por aqui. E dessa forma o clima foi quebrado. O blog teve que passar por mais um estudo e análise para que novamente encontrasse o seu caminho (filosófico, não?). O Tem Na Fotografia começou com esse intuito, de dividir essas pesquisas que faço, e não notícias (por mais umas e outras nunca vão deixar de aparecer por aqui, pela sua importância), portanto, é daqui mesmo que continuo e retomo minhas visitas por aqui.  De onde mesmo que paramos? Sim, da Fotobiografia de Chico Albuquerque. Pesquiso sempre por novas histórias de grandes fotógrafos, mas confesso, que o nome de Chico Albuquerque ainda não tinha entrado para a minha lista nada negra.

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Fotobiografia de Chico Albuquerque

A começar, estamos falando de um fotógrafo cearense (minha terra), nascido na cidade de Fortaleza no ano de 1917, a história ficou ainda mais interessante quando descubro que seus pais eram fotógrafos também! Não vejo esse tipo de história sendo contada referente aos dias de hoje, quanto mais daquela época. Francisco Afonso de Albuquerque teve o seu primeiro contato com a fotografia aos 15 anos de idade e logo já sabia qual categoria da fotografia queria seguir: Os retratos. Em 1934 mudou-se para São Paulo, onde abriu seu próprio estúdio de fotografia. Chico Albuquerque é conhecido por ser o pioneiro da fotografia publicitária no Brasil (gente, como eu não sabia disso?), em 1949 a primeira campanha ilustrada era da Johnson & Johnson e foi fotografada por ele, Chico Albuquerque.

O famoso movimento fotoclibismo de São Paulo foi liderado pelo Chico Albuquerque quando participou do grupo Fotocine Clube Bandeirante juntamente com Thomaz Farkas, Geraldo de Barros, Eduardo Salvatore e German Lorca. Essa é a parte sombria de sua história, na qual eu não consegui muitas informações. Apesar de o que já li, valeu muito a pena: Chico Albuquerque, grande nome da fotografia e da minha terra, é um orgulho. 

Se podemos assim considerar, em épocas, que a fotografia substituiu a pintura, podemos dizer que foi com grande estilo, cuidado e carinho. Chico Albuquerque ao se aposentar e voltar para Fortaleza, resolveu dedicar-se a natureza morta, fotografia Still Life, com frutas tropicais Brasileiras e à Praia do Mucuripe.

Claro, em livrarias encontramos também alguns livros publicados de autoria do Chico (já, íntima) e algumas exposições. Vamos às suas fotografias?

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Chico Albuquerque faleceu dia 26 de Dezembro do ano de 2000, aos 83 anos. 

Vivian Maier, sua obra em livro e finalmente uma versão em português

Muitos artistas (no seu conceito geral) ficam famosos após sua morte, por passarem a vida reprimidos e isolados apenas criando e deixando legados históricos para quando falecerem, Vivian Maier fez algo parecido: Primeiro por ser uma fotógrafa, do sexo feminino em uma época em que as coisas não eram facilitadas como são nos dias de hoje (vendo apenas um ponto de vista). Vivian Maier, fotógrafa apenas nos momentos livres, sua profissão mesmo era babá.

Vivian Maier
Autoretrato de Vivian Maier

Vivian Dorothea Maier, mais conhecida como Vivian Maier, nasceu dia 1 de Fevereiro de 1926 em Nova Iorque e faleceu dia 21 de Abril de 2009 em Ilinóis. Como fotógrafa, se especializou em fotografia de rua, a famosa categoria da fotografia conhecida como street photography, ou, em termos geral, fotografia documental. Vivian Maier, em seu tempo livre, saía nas ruas fotografando aquilo que lhe chamava a atenção pela cidade de Nova Iorque, uma vida documentada e registrada pelo olhar de uma fotógrafa que, aparentemente não teve uma vida fácil. Com sua Rolleiflex, acabou fazendo uma contribuição magistral para a sociedade americana, e como vivemos em uma era mais que globalizada, mas o mundo inteiro. 

Uma vida sofrida que não lhe rendeu uma velhice tranquila, Maier acabou por viver em asilos até que alguns amigos se juntaram e resolveram pagar suas contas e um apartamento. Alguns desses amigos foram crianças que Vivian Maier cuidou em seus tempos de babá (da Wiki). Assim dá para perceber como essa fotógrafa foi uma boa pessoa (além de fotógrafa), merecendo assim a nossa atenção. 

 Vivian Maier, mesmo com suas dificuldades, guardou todos os negativos que juntou ao fotografar. Em 2007 John Maloof descobriu toda uma obra que poderia vir a tornar um Livro. Em 2011, o primeiro livro foi publicado com o título Vivian Maier: Street Photographer pela editora Powerhouse Books, um ano após mais um livro foi publicado com o título Vivian Maier: Out of the Shadows, em 2013 foi a vez de Vivian Maier: Self-Portraits, este ano foi publicado o Eye to Eye: Photographs by Vivian Maie, todos em Inglês, todos pela mesma editora, uma coleção e tanto (que já está na minha Wishlist). E, finalmente, essa homenagem se estenderá pelos Brasileiros, ganhando uma versão em Português com direito a exposição e tudo mais. 

O escritor é o  Geoff Dyer, e o livro é a sua primeira publicação com o título em Português: Vivian Maier: Uma fotógrafa de rua. Vamos acompanhar as novidades e trocaremos figurinha por aqui quando essa notícia se concretizar. Enquanto isso, deixo aqui algumas fotografias de Vivian Maier para nos inspirar. 

Vivian Maier
Foto: Vivian Maier
Vivian Maier
Foto: Vivian Maier

Eddie Adams – Conheça esse fotógrafo de guerra

Fazia tempo que não nos inspirávamos com as fotografias desses grandes fotógrafos renomados, Eddie Adams e suas fotografias de guerra fazem parte de uma história não muito feliz das guerras e dos acontecimentos históricos tendo como fotografia mais famosa (e ganhadora dos prêmio  Prêmio Pulitzer de Fotografia em 1969 e World Press Photo no mesmo ano)  é a imagem do chefe de polícia Nguyễn Ngọc Loan executando um Vietcong prisioneiro na rua Saigon no dia 1 de fevereiro de 1968.

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Eddie Adams, um poquinho da sua história

Eddie Adams nasceu no dia 12 de Junho de 1933 na Pensilvânia nos Estados Unidos, por seus pais Edward and Adelaide Adams e faleceu dia 18 de Setembro de 2004, o que significa que se Eddie Adams estivesse vivo, estaria com 81 anos completos no famoso dia dos namorados (para os Brasileiros), falecido com 71 anos, o fotojornalista não teve muito de sua vida exposta e publicada, tendo apenas nas suas fotografias muito a ser estudo e ser dito. Assim como Diane Arbus, Eddie Adams era muito envolvido pelo seu objeto fotografado, o que sempre nos leva a pensar sobre esse possível envolvimento de um subjetivo com seu objeto.

O interesse de Eddie Adams pela fotografia começou quando ainda era muito jovem, na adolescência especificamente, na época da escola quando dedicou algum tempo à fotografia de casamento e que logo foi substituída por fotografia de combate. Quando Eddie Adams serviu a Marinha dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (de 1950 a 1953), como quase todos os americanos da época, o jovem joga seu olhar em um recorte nada belo de se olhar. Anos depois de algumas outras vivências, em 1962, Adams se associou a Associated Press. 

 

Eddie Adams e sua fotografia famosa

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Assim como todo fotógrafo renomado, Eddie Adams acabou por ter nessa fotografia a sua principal história a ser contada, bom, para nós, que sabemos muito pouco sobre ele, afinal, estamos falando de um homem que com suas lentes esteve presente em mais de 13 conflitos e dito isso nem quero imaginar quantas fotografias ele clicou. O que podemos afirmar de fato é que com essa foto ele rendeu alguns bons prêmios. Fato.

O general matou o vietcongue, e eu matei o general com minha câmera. Fotografia é a mais poderosa arma no mundo

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 O rosto do menino no momento em que levaria o tiro. A sensação de que talvez ele fosse um bom rapaz, ou do soldado Nguyễn Ngọc Loan não ser exatamente tão bom assim. Tudo o que estava por trás dessa fotografia (que não foi possível encontrar em um tamanho digno) nós nunca saberemos, mas podemos imaginar, e essa é tão grandiosa magia da fotografia, que Eddie Adams, parar um pedacinho do tempo com a sua arma mais poderosa nos deu a chance de nos pôr por dentro de um momento “meio-verdade”, palavras suas.

 

 

Álbum de Família: qual a sua importância?

Álbum de Família é uma prática milenar pratica por todos os tipos de famílias já existentes no mundo. Desde quando foi possível registrar uma imagem, a prática veio a tóna e rapidinho entrou para tradição de famílias importantes – nem sei se isso é relevante – para a sociedade. Enquanto pesquisava por inspirações no flickr usando várias palavras chaves, escolhi a palavra chave Álbum de Fámília e dei de cara com muitas, mas muitas fotografias de Álbum de Família e de diversas formas. Ainda não tinha percebido a importância dessa prática que hoje, se encaixa em uma das categorias da fotografia.

Álbum de Família, a história

A famosa fotografia Lambe lambe além de ter sido responsével pelos registros fotográficos de retratos, também éram responsáveis pelas fotografias em Álbum de Família. Mas, muito antes disso, na idade média, todos da Nobreza, com suas posses, contratavam pintores famosos, de renome para fixar em telas os traços e linhas dos sobrenomes de suas famílias. E mesmo assim, quem colocou essa prática para frente, foram os Burgueses, quando assumiram um Auge, com seus dinheiros que valiam mais dos que as famosas posses das famílias nobres, contratavam pintores renomados e faziam questão de comunicar a toda a sociedades sobre seus Álbuns de Família, e por terem “grana” acabam por pagar por pinturas com cores que valiam nota. Da mesma forma, no século XIX quando as primeiras forma de fotografia surgiram, famílias e familias se uniam, se vestiam, e posavam durante minutos em estatua para as fotos – o processo da fotografia era diferente, e o tempo de captura era bem lento.

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Hoje, essas fotografias antigas de Álbum de Família, carregam fortes traços de história para todas as vertentes. Podemos observar as vestimentas  – é sempre a primeira característica que vejo – as caras e bocas, a postura, os sapatos, os cortes de cabelo, os enfeites de decoração do ambiente. Fora a subjetividade, que acabamos criando, as pequenas histórias que fazemos em nossas cabeças, juntamente com nossas próprias histórias. Na fotografia de cima, de um Álbum de Família desconhecido não consegui descobrir a história, mas, na fotografia de baixo, trata-se de crianças alemãs, que foram – juntamente com suas famílias, claro – refugiadas para os Estados Unidos, o sorriso no rosto marca a inoscência de crianças que nem imaginavam a pressão que sua terra natal estava passando.

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 Álbum de Família, nos dias de hoje

Em contra partida, o Álbum de Família hoje em dia nem sempre é necessário a contratação de profissionais da fotografia, hoje, com o avanço da tecnologia e o acesso a ela, muitos – quase todos – possuem uma câmera capaz de um registro que entre para o Álbum de Família. E percebendo isso, para sobreviver ao mercado, fotógrafos encaram como desafio, fazer os famosos Álbuns de formas mais diversificadas possíveis. Acredito que não só os profissionais, mas os próprios familiares procuram por ousadia, diferencial, ou, quando praticam, procuram por por em prática formas criativas de se fotografarem, ou fotografar seus filhos e netos, enfim.

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A menina mais fofa do Japão pelos olhos de seu pai Kotori Kawashima, faz parte do conjunto de fotografias do Album de Familia

Confesso, que ao escrever esse texto me percebi uma fotógrafa muito furada, que deveria mesmo fotografar mais e mais minha família, meu marido e eu, meus sobrinhos, é um registro muito valioso de todos os momentos bons que passamos juntos. Challenge Accepted.

 

 

Paolo Roversi vs Kris Van Assche

O fotógrafo cult e o diretor criativo da Dior Homme nos dizem porquê beleza é rebelião

Por 

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Retirado da edição de verão da Dazed&Confused:

Como a nossa paisagem visual se torna deformada por imagens que podem se dissolver em menos de dez segundos ou serem comprimidas em uma caixa, o fotógrafo italiano Paolo Roversi continua a acreditar na poesia de trabalhar com filme. Durante as últimas quatro décadas ele capturou seus motivos femininos desprotegidos e muitas vezes sem roupas, transportando-as para o além, através de técnicas de iluminação e de seu próprio charme hipnotizante.

Hoje, Roversi está em Paris com Kris Van Assche, que assumiu as rédeas de Hedi Slimane como diretor criativo da Dior Homme em 2007. “Quando você trabalha com Paolo, você sabe que sempre haverá tensão e sensualidade”, diz Van Assche, que passou sua adolescência encantado com o trabalho do fotógrafo. A coleção SS14 do designer belga para Dior Homme mostrou sua capacidade de deformar e manipular superfícies, inspirando-se no trabalho do escultor John Chamberlain, que uma vez teve duas de suas obras de 300 quilos de sucata e metal confundidas com lixo e levadas embora. Van Assche construiu sua coleção a partir de pedaços abstratos de couro e estampas metálicas e enviou os seus modelos através de um labirinto espelhado. Embora ele passe seu tempo vestindo o corpo e Roversi prefira tirar as roupas fora, eles compartilham uma crença comum de que a emoção e poesia podem elevar moda.

 

Paolo, o que alimenta sua obsessão com a nudez?

Paolo Roversi: Bem, isso nunca foi sobre erotismo ou pornografia. É apenas sobre beleza. Meu estúdio é um lugar de sonhos e os modelos sentem isso. Essa é a nossa forma de trabalhar. A forma mais pura de retrato é fazer um nu – é a mais elegante.

Kris Van Assche: É importante dizer que não há mais número suficiente de pessoas interessadas em beleza.
É algo que nós dois sentimos. É por isso que as meninas se sentem tão confortáveis com Paolo, porque não se trata de provocação, escândalo ou até mesmo uma forma torturadora de mostrar a beleza.

Paolo Roversi: Nós mantemos vulgaridade porta à fora!

Kris Van Assche: Quero dizer, se você é uma menina e você vai ficar nua na frente de Paolo você sabe que irá ficar incrível! A beleza é uma forma de quebrar as regras de hoje. Ir para o lado da beleza pode ser muito rebelde.

Paolo Roversi: É por isso que eu vim aqui esta manhã, porque eu sabia que ele iria dizer coisas lindas sobre o meu trabalho! Essa é a única razão pela qual eu vim. (risos)

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Assim, a emoção está ligada à maneira com a qual vocês dois trabalham?

Paolo Roversi: Com Kris, não precisamos nos explicar um ao outro, “A fotografia é aquilo’, ou, ‘A moda é isso” – é o instinto. Nós não precisamos de muitas palavras. Eu conheço a sua poesia, seus sentimentos e suas emoções. Uma faísca acontece imediatamente. Eu digo que nós dois colocamos nossos corações em cima da mesa da mesma maneira.

Kris Van Assche: Inspiração sempre vem de emoções, mesmo se é algo enraizado na frustração. Quero dizer, pode vir em momentos realmente estranhos e é sempre o clique que vai lhe influenciar pelos próximos seis meses. Aquele clique pode levar apenas cinco segundos.

Paolo Roversi: Mesmo quando estamos sonhando, ainda estamos trabalhando.

Kris Van Assche: Com Paolo eu sempre sei que vai ter um pouco de tensão e alguma sexualidade. Então, como eu só faço moda masculina, é importante que haja algumas garotas por aí, porque cria uma situação poética. É aí que a colaboração se torna importante. Meu desfile foi bastante frio com todos aqueles espelhos – eu queria que se parecesse com uma galeria de arte – já havia um monte de tensão, mas estava frio, muito robótico, mesmo. Trazendo isso à poesia de Paolo se cria um tipo muito diferente de sentimento.

Paolo Roversi: Para algumas pessoas, o romantismo não é forte. É a minha grande queda. Eu sou romântico! Eu não posso ser perfeito, sabe? Acho que vem da minha infância, da poesia italiana…Oh, eu não sei onde. Eu não quero analisar isso demais. Eu não luto mais contra isso, porque sei que vou perder!

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Kris, é verdade que a coleção Dior Homme SS14 foi vagamente baseada em torno de uma experiência em Miami?

Kris Van Assche: Sim, eu estava em Miami para a Art Basel e foi apenas um daqueles momentos em que você basicamente se sente totalmente ridículo. Você está de pé lá em uma praia debaixo de uma palmeira, o clima é ótimo e você está em um smoking. Há todas estas pessoas sérias ali de pé, com os pés na areia. É só esse contraste estranho. Quero dizer, os contrastes são, obviamente, inspiradores, mas é então que você percebe que tudo isso é realmente muito ridículo!

 

Você dois se desconectam conscientemente do ‘circo’?

Kris Van Assche: Art Basel são na verdade os únicos dois dias do ano em que eu consigo aguentar. Quando eu saio de férias no mês de agosto, eu quase não levo uma mala porque eu não quero ver roupas…

Paolo Roversi: Mas eu acho que de certa maneira nós nunca nos desconectamos. Quero dizer, pessoas como o Kris se desconectam do sistema social do mundo da moda, mas não da criatividade ou da inspiração. Este é você. Você não pode nunca desligar totalmente. Eu acho que ele é um designer criativo 24 horas por dia, ele não poderia ser diferente. Desculpe Kris, eu só respondi para você!

Kris Van Assche: Não tem problema! Eu não preciso de fugir de alguma coisa porque eu amo o meu trabalho e eu consegui me proteger de determinados sistemas.

Paolo Roversi: Às vezes eu me encontro com Kris em uma festa, tomamos muita champanhe juntos e ficamos no canto da sala!

Kris Van Assche: E eu sou sempre assim, ‘O que estamos fazendo aqui?’.

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Você acha que se tornou mais difícil de quebrar as regras?

Paolo Roversi: Você sabe, depende do que você quer quebrar. É muito fácil perder o seu espírito na moda. Acho que já perdi algumas vezes; e uma das coisas mais difíceis, ser completamente puro. Você não pode se comprometer muito e você tem que manter uma certa distância, especialmente se você tem um monte de pessoas ao seu redor lhe dizendo que você é um gênio. É muito perigoso.

Kris Van Assche: Concordo totalmente. Quero dizer – feche os ouvidos, Paolo – não há muitos fotógrafos cujo trabalho você pode reconhecer imediatamente. É uma coisa tão rara hoje em dia. Quando é tecnicamente possível, pode ser copiado e falsificado. Verdadeira autenticidade, emoção e personalidade é a novidade. Isso é quebrar as regras. Ele não está tentando ser o hype a cada semana de cada mês, sabe? Ir contra as regras – esta é a nova rebelião.

 

CREDITS:

Hair: Tomohiro Ohashi at Management Artists

Make-up: Marie Duhart at Atomo Management using MAC

Models: Janis Ancens (L’Uomo Elite), Adrien Sahores (Premium), Daiane Conterato (Elite), Maria Loks (Next)

Photographic assistants: Melanie Rey, Barbara Marangon, Felix Seiler-Fedi, Ton Ishiguro

Styling assistant: Natalia Culebras

Hair assistant: Kiki

Make-up assistant: Methta Gonthier

Digital operator: Matteo Miani at Dtouch

Production: ProdN Paris

 

Publicado originalmente por Isabella Burley, via Dazed & Confuzed

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Artista da vez: Cindy Sherman

Cynthia “Cindy” Morris Sherman (Glen Ridge, New Jersey, 1954 – )

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Ganhadora do Prêmio Hasselblad de 1999 e do National Arts Awards três anos depois, Cindy Sherman é um dos nomes mais respeitados da fotografia e da arte no século XX. Em sua fotografia, geralmente ensaios compostos por auto-retratos, através da caracterização de personagens e estereótipos, Sherman usa seu corpo como veículo para discutir questões que afligem o mundo contemporâneo.

São e não são auto-retratos, em si (certamente não são selfies), na verdade a artista se transfigura em suas imagens, assume um papel e se torna outra. A própria estrutura do trabalho de Sherman nos permite discutir a veracidade do eu na fotografia. “Ora“, diz Barthes em seu livro A Camara Clara, “a partir do momento que me sinto olhado pela objetiva, tudo muda: ponho-me a ‘posar‘, fabrico-me instantaneamente um outro corpo, metamorfoseio-me antecipadamente em imagem“. Quando tomamos um auto-retrato somos capazes de nos reconhecer na imagem sem equívocos. Quando aludimos, porém, a metafísica da fotografia, é ingênuo afirmar que somos mais do que uma representação de nós mesmos, já que a fotografia é falha enquanto realidade, inclusive aquela em que somos conscientes de sermos objeto. “…uma imagem – minha imagem – vai nascer: vão me fazer nascer de um indivíduo antipático ou de um ‘sujeito distinto‘? Se eu pudesse sair sobre o papel como sobre uma tela clássica, dotado de um ar nobre, pensativo, inteligente etc! Em suma, se eu pudesse ser ‘pintado‘ (por Ticiano) ou ‘desenhado‘ (por Clouet)!“. Destas personalidades mostradas em suas fotografias não resulta um eu em particular, uma vez que o “eu“ se transfigura num sem número de “outros“.

Cindy Sherman nasceu em Glen Ridge, New Jersey, um subúrbio de NYC em 1954. Sua vida artística começou na State University College em Buffalo, onde iniciou os estudos pela pintura. Depois de algum tempo, frustrada, voltou-se para a fotografia: “…não havia nada mais a dizer [através da pintura]. Eu estava meticulosamente copiando outra arte e então percebi que poderia usar apenas uma câmera e colocar o meu tempo em uma idéia em vez disso.“

 

Untitled Film Stills

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Untitled Film Still #17 1978, reprinted 1998 by Cindy Sherman born 1954

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Untitled Film Still #53 1980, reprinted 1998 by Cindy Sherman born 1954

Provavelmente seu trabalho mais famoso e reconhecido até agora, Untitled Film Stills (1977 – 80), coloca a artista no papel de atrizes de filme B e noir. Usando os elementos do auto-retrato, Sherman se transforma em típicos estereótipos do cinema: a dona-de-casa, a esposa, a prostituta, a mulher aflita, a dançarina, a atriz.

Para que uma obra de arte seja considerada um retrato, o artista deve ter a intenção de retratar uma pessoa específica, real. Isso pode ser comunicado através de técnicas como a nomeação de uma pessoa específica no título da obra ou a criação de uma imagem na qual a semelhança física leve a uma individualidade emocional única para uma pessoa específica. Enquanto estes critérios não são as únicas maneiras de conotação de retrato, eles são apenas dois exemplos de como Sherman cuidadosamente se comunica com o espectador e que essas obras não são feitas para retratar Cindy Sherman a pessoa. Por nomear cada uma das fotografias “Untitled” seguidas de uma numeração, Sherman despoja as imagens de personalidade.1

Ainda em 1980, Sherman criou uma série de fotografias intitulada “Rear-Screen Projections”, similarmente a Untitled Film Stills, a artista posa em frente a cenas projetadas numa tela branca.

 

Rear-Screen Projections

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Artforum “Centerfold“

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Em 1981, Sherman recebeu uma encomenda da respeitada revista Artforum para fazer uma série de fotografias para uma de suas próximas edições. Sherman começou a apresentar uma série de imagens com um olhar estético coeso: a câmera foi colocada acima da artista, muitas vezes agachada no chão ou como se estivesse em um estado de devaneio. Esta série, bem como uma série adicional com Sherman vestindo uma túnica cor de rosa, foi rejeitada pela editora da Artforum, Ingrid Sischy, que alegou que estas fotografias “poderiam ser mal interpretadas.”

Posteriormente, uma das imagens deste ensaio (acima) foi vendida em um leilão na casa Christie‘s pelo valor de U$ 3,89 milhões, o valor mais alto por uma fotografia até então.

 

Disasters and Fairy Tales

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Fotografada de 1985 à 1989, a série “Disasters and Fairy Tales“ rompe o estilo tradicional do trabalho de Sherman que, pela primeira vez, não é a modelo principal de suas imagens.

Para “Disasters and Fairy Tales“ Sherman utiliza uma grande variedade de técnicas de maquiagem, máscaras e próteses para criar uma representação verdadeiramente chocante e grotesca do corpo, justamente o contrário do que se pode imaginar quando se lê “Fairy Tales“. Ao contrário, esta série explora um gênero oposto, o dos filmes de horror. A luz é outro importante elemento que se destaca na criação do mórbido ambiente composto por “cadáveres“, próteses de partes do corpo e lixo.

 

History Portraits

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Usando um trabalho espetacular de maquiagem e caracterização, em History Portraits (1988-1990), Sherman volta a se colocar na posição de modelo, interpretando arquétipos de pinturas famosas. Enquanto algumas imagens fazem referência direta a grandes pinturas, a maioria retrata de uma maneira genérica o estilo renascentista e principalmente barroco. É notável a presença do chiaroscuro empregado por Caravaggio e seus seguidores. Sherman também usa próteses de partes do corpo para aumentar suas próprias proporções nesta série, descaracterizando-se totalmente pela primeira vez, em algumas das imagens a artista se torna absolutamente irreconhecível.

Abaixo, trechos da entrevista da ONG Art21 feita à ocasião da exposição de History Portraits:

Art21 Qual foi o ímpeto para History Portraits?

Cindy Sherman Esta peça [Untitled (# 183 A)] foi mais ou menos por onde tudo começou. No final dos anos 80, fui convidada a fazer algo com uma empresa que queria artistas para fazer objetos que fossem funcionais, mas obras de arte. Eles sugeriram que eu fizesse alguma coisa com Limoges e me convidaram para a sua fábrica, onde tinham moldes de tudo o que já tinha feito. Eles tinham um monte de coisas que Madame de Pompadour tinha projetado quando estava envolvida com o rei Luís XV. Eu decidi usar uma terrina feita por ela e fiz todas essas fotografias livremente baseadas nela.

A21 É a própria Madame de Pompadour ou é a sua idealização dela?

CS Como tudo o que eu faço, eu realmente não estava tentando copiar qualquer imagem de Madame de Pompadour, mas queria que se parecesse com alguém como ela. Um ano depois que fiz isso, eu tinha um show em Paris, que coincidiu com uma grande celebração da Revolução Francesa. E assim, na continuidade do tema de Madame de Pompadour, eu fiz uma série de personagens que foram inspirados em minha pesquisa sobre Revolução e todo esse período. E comecei posar mais como homem.

A21 Me fale mais sobre sua pesquisa.

CS Eu costumo comprar um monte de livros e arrancar suas páginas e colá-las na parede. Refiro-me a eles de maneira mais enciclopédica e apenas uma parte de tudo é absorvida. Então, quando estou pronta para fotografar, vou ver o que eu tenho disponível. Eu acho que com [Untitled (# 224)] eu tinha todas essas uvas e folhas e pensei: “Isso é uma coisa tão fácil de fazer, copiar Bacchino Malato de Caravaggio”.

Quando estava em Roma, tive que ir aos mercados de lá porque eu não tinha levado muitos figurinos e adereços comigo. Eu esperava comprar as coisas lá. As mangas em [Untitled (# 209)] foram cortados de um vestido e adicionadas ao corpete de outra coisa. E a parte branca é apenas uma camisa que eu escondi por dentro. Eu provavelmente vi alguma pintura com uma cruz na cabeça em algum lugar e e isso entrou também. Eu não estava copiando nada em particular.

A21 Me parece que as pessoas pensam mais sobre trabalho nos termos da criação de outro personagem ou figura. Mas você também pensa sobre a criação de uma atmosfera?

CS Sim. Em alguns, eu crio um fundo por trás de mim e tento fazer parecer que é o ambiente em que essas pessoas estavam vivendo. Se estou filmando em um lugar interessante, vou usar as peças já existentes da sala para criar uma atmosfera, por exemplo, a parede atrás do personagem em [Untitled (# 210)]. Mas em outros lugares, como meu estúdio, onde não é atmosférico, posso armar um tecido e outras coisas atrás de mim para tentar criar a atmosfera.

 

Sex Pictures

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Provocada pelo controverso financiamento da NEA em 1989 envolvendo fotografias de Robert Mapplethorpe e Andres Serrano na Corcoran Gallery of Art, bem como a forma com que Jeff Koons modelou sua mulher atriz pornô em “Made in Heaven”, Sherman produziu a série Sex Pictures, naquele mesmo ano.2 Pela primeira vez ela ausentou-se completamente das imagens.

Estas imagens foram produzidas pra chocar, uma vertente da arte contemporânea que o próprio Jeff Koons executa muito bem, elas confrontam o observador com seus sentimentos a respeito de sexo e sexualidade. O mais chocante talvez se mostra na representação agressiva da sexualidade, por meio de manequins e próteses, fazendo a ação acontecer dentro da cabeça do espectador, trazendo a tona seus tabus e fetiches, pondo à prova a moral à qual foi ensinado a crer. Ademais, nos faz questionar nosso próprio corpo e nossos limites.

Expor de forma tão grotesca o sexo numa sociedade ocidental cristã ainda recheada de preconceitos e menos liberal do que ela própria se acredita é um passo importante na discussão sobre a repressão do desejo sexual e suas consequências sociais, bem como o que é associado a ela, tanto em sua forma subjetiva, das psicopatologias, quanto sua forma coletiva, dos crimes sexuais, embora, infelizmente, muito frequentemente tais questionamentos não atinjam de modo eficaz a porção conservadora da sociedade.

 

Metro Pictures e Society Portraits

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Em seus trabalhos mais recentes (2003 – 2004 e 2008), Cindy Sherman volta a caracterizar e interpretar personagens, porém acentua sua crítica: ao consumo e o papel da mulher na sociedade.

Em mais um belo trabalho de maquiagem e caracterização, as imagens mostram genericamente mulheres comuns, que logo se supõe estereótipos da classe média americana (em Metro Portratis), e da alta sociedade (em Society Portratis). De estética essencialmente retratista e simplista, mais um catálogo de estereótipos do que fragmentos narrativos como em untitled film stills, várias questões podem ser levantadas a respeito destes retratos: a hierarquização da sociedade bem como o abismo que separa as classes mais baixas da classe alta; rememorando os imensos catálogos sociais feitos no século XIX e começo do XX, aonde não raro os socialmente bem sucedidos eram retratados em fundo neutro, como se sua própria imagem falasse por si, enquanto os pobres eram postos em cenários elaborados de acordo com sua profissão, algo que fizesse deles quem são, aqui Sherman inverte os papéis, dá voz e personalidade à classe média, embora ainda as caracterize vagamente por suas profissões através do vestuário, ao passo que as senhoras da alta sociedade são similarmente caracterizadas como se fossem a mesma pessoa, ostentando suas posses a despeito de sua individualidade. Esta postura é ainda reforçada por se tratarem de caracterizações, e não de pessoas reais, o que faz com que seja possível crer em sua argumentação.

Society Portratis também flerta com a arte Rococó, antes no tema do que na estética, quando faz alusão a aristocracia fruindo a vida confinada em sua fortaleza enquanto a bastilha era tomada (ou a vida real acontecia) do lado de fora. Este contraste social explícito nos faz questionar o modelo de vida contemporâneo que seguimos, aonde alguns tem muito e outros muito pouco.

 

Observando o trabalho de Cindy Sherman em retrospectiva, podemos constatar um amadurecimento no sentido da crítica aos paradigmas sociais a despeito da construção de ficções através de fragmentos como em seu primeiro trabalho. Ao criar personagens e fazer alusões, Sherman leva à crítica ao campo da interpretação e torna ainda mais ampla sua metáfora contemporânea.

Atualmente, Cindy Sherman continua produzindo em seu estúdio em Nova Yorque, onde vive.

 

Links

Official Site http://www.cindysherman.com

MoMA Online Exibithion http://www.moma.org/interactives/exhibitions/2012/cindysherman/#/0/

 

As Polaroids de Andy Warhol

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Como vocês devem se lembrar, no post anterior eu disse que Andy Warhol possuía um sem número de polaroids.
Durante os anos 70-80 Warhol teve uma intensa atividade como fotógrafo, levando a câmera aonde ia, fotografou aonde fosse sejam festas, passeios, ou em sua própria casa, na factory, estilistas, músicos, artistas, celebridades, tudo e todos passaram pelas lentes do pai da pop art, além, é claro, dele próprio.
Algumas dessas imagens foram usadas como base para seus retratos em silkscreen, outras como simples exercício estético ou recordação.
As polarois de Warhol revelam uma parte importante da história, do meio de vida underground de nova york no período, da estética pop e da cultura da celebridade.
Em 2012, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo trouxe 300 destas polaroids que ficaram expostas de 04 de maio à 24 de junho.
Entre estas polaroids que compõe este post, muitas outras foram exibidas, retratavam festas, eventos, dias ao ar livre entre outros, infelizmente, tudo que eu pude encontrar foram seus retratos de celebridades e algumas fotos de still life.
Abaixo ainda, texto da exposição retirado do site do MIS SP.

Sou para você o que gostaria que você fosse para mim

Diógenes Moura
Escritor e Curador de Fotografia
Refletido no espelho, Andy Warhol vê sua vida e sua obra. Seus dias e suas noites são parte do seu trabalho tecnológico como talvez em nenhuma outra obra de um artista de seu tempo. Warhol queria ser uma máquina e produzir um trabalho sobre e para a cultura americana de massa, e lançou uma pergunta sem respostas sobre o conjunto da sua obra que até hoje os Estados Unidos procuram entender realmente do que se trata nas páginas da sua história. “Quem sou eu?” perguntou Warhol, e ele mesmo respondeu com uma versão coloridíssima de uma lata de sopa Campbell. A exposiçãoAndy Warhol Superfície Polaroides (1969-1986) nos mostra, em trezentas imagens, uma significativa parte do processo de trabalho e da construção das imagens pública e privada de Warhol. Toda a série de polaroides que ele fez em seu estúdio ou nos registros produzidos nos encontros e nas noites por onde andou era o mais ou menos o que os paparazzi ainda procuram nos dias atuais. Mas, então, qual é a diferença? A diferença é, antes, quem estava atrás e na frente da câmera. E, hoje, quem está atrás e na frente das bilhões de câmeras espalhadas pelos quatro cantos da Terra, onde toda a humanidade é fotógrafo. Portanto, a diferença é: quem vê o quê?
Para chegar ao resultado final das suas serigrafias, Warhol fazia cerca de sessenta retratos usando uma câmera Big Shot da Polaroid. Depois escolhia quatro imagens e passava para o impressor de tela para obter imagens positivas em acetato. Quando os acetatos voltavam, ele decidia os cortes e os retoques, para fazer com que a pessoa se tornasse o mais atraente possível: alongava o pescoço, afinava narizes, aumentava os lábios. Era também o modo como gostaria de ser visto pelos outros e, assim, criar um mito para chamar de seu. As trezentas polaroides produzidas pelo artista entre 1969 e 1986 nos dão uma ideia desse seu modo de ver. Aqui estão os retratos de verdadeiros artistas, de celebridades descartáveis (e Warhol sabia como ninguém que celebridade com celebridade se vende, se paga e se joga no lixo), resquícios de objetos e composições, como os sapatos que marcaram a primeira fase de sua carreira, planos abertos de torsos nus, retratos 3 x 4 de personagens como Grace Jones e Lana Turner, exercícios de composições e sombras, como na imagem de Caroline de Mônaco, o corpo despido de Jean-Michel Basquiat fragmentado em detalhes e silêncio, os músculos iniciantes de Stallone e Schwarzenegger, o doce olhar de Muhammad Ali. Todos no mundo de Warhol, que os mantém vivos no mundo de hoje. Todos em pequenas polaroides. Na superfície atemporal que o artista dizia ser fundamental para reconhecê-lo. Na superfície das palavras e obra de “um herói cultural” que, nos momentos de introspecção, era capaz de elucubrar: “Quero inventar um novo tipo de fast food e estava pensando como seria uma coisa de waffles que tenha a comida de um lado e a bebida de outro – como presunto e Coca-Cola. Você poderia comer e beber ao mesmo tempo”.
Autorretrato

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Still Life

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Retratos

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Burroughs, Lynch and Warhol

Três mostras simultâneas na London’s Photographers’ Gallery (eu também gostaria estar lá) exploram as imagens de três artistas famosos em outras mídias. Do diretor multimídia David Lynch, à Andy Warhol e (o escritor) William Burroughs.

William Seward Burroughs II, nascido em 1914 no Missouri, USA, foi um escritor contemporâneo à [Charles] Bukowski e, junto com este, deu a base e abriu caminhos à Beat Generation que estava por vir no fim dos anos 50. Seu magnum opus foi o romance “Junkie”, cujo enredo retratava o submundo das drogas e da homossexualidade, a partir de suas próprias experiências, não deixando de ser também uma cruel crítica social à ordem vigente na américa do pós guerra, como toda a contracultura da época. O livro, porém, sofreu com a censura em diversos países até não muito pouco tempo atrás. Além de escritor, Burroughs também se envolveu com a música, tendo participado de álbuns de diversos artistas, e pintura.

William S. Burroughs, Jack Kerouac, Tangier, 1957

Jack Kerouac, Tangier, 1957

Unknown Photographer, Burroughs in the Villa Mouniria Garden, Tangier

Burroughs in the Villa Mouniria Garden, Tangier

William S. Burroughs, Midtown Manhattan, 1965

Midtown Manhattan, 1965

William S. Burroughs, Untitled, c1972

Untitled, c1972

William S. Burroughs, Untitled, 1975

Untitled, 1975

Ian Sommerville, Infinity, Paris (Beat Hotel), 1962

Untitled, 1975

Uma vez perguntei a uma mulher se ela conhecia Andy Warhol, ela me respondeu que não. Se não fosse por [Marcel] Duchamp, penso eu, e Andy Warhol, as artes plásticas não seriam nada do que são hoje. La Fontaine de Duchamp deu o primeiro pontapé rumo a uma arte voltada ao cotidiano industrial e suas implicações, que começavam a se tornar a cara da sociedade moderna. Mas foram Andy Warhol e a arte pop, da qual ele foi o máximo expoente, os responsáveis por elevar o artista ao patamar de celebridade, e expor a arte a sua reprodutibilidade.

Warhol foi pintor, ilustrador, cineasta, fotógrafo e agitador cultural. Conhecido principalmente por suas serigrafias, filmou um sem número de curtas, médias e longas metragens experimentais de temas banais, como um plano seqüência mudo em preto e branco do edifício Empire State Building, de mais de oito horas, filmado continuamente e em câmera lenta. Seu estúdio, “The Factory”, foi responsável por alçar nomes como [a banda] The Velvet Underground, [o fotógrafo] David LaChapelle e [o pintor] Jean-Michel Basquiat.

Quanto às suas fotografias, além das apresentadas aqui, de cunho mais experimental, Warhol possuía um enorme acervo de polaroids com temas cotidianos, encontros, festas e auto-retratos.

Andy Warhol, Buildings,  1976-1987

Buildings, 1976-1987

Andy Warhol, Gay Pride, 1976-1987

Gay Pride, 1976-1987

Andy Warhol, Jerry Hall, 1976-1987

Jerry Hall, 1976-1987

Andy Warhol, People in the Street, 1976-1987

People in the Street, 1976-1987

Andy Warhol, People in the Street, 1976-1987

People in the Street, 1976-1987

Andy Warhol, Young Man holding a Glass, 1976-1986

Young Man Holding a Glass, 1976-1986

Eu imagino se existe algum campo que David Lynch ainda não tenha explorado. Além de cineasta e diretor de televisão, produtor, escritor e artista visual, (me corrijam se faltar alguma ocupação) ocasionalmente atua e tem sua própria casa noturna exclusiva em Londres. Quanto a nós, ficaremos felizes se conseguirmos fazer metade disso na vida. Mais conhecido por seus filmes de ambientação experimental como Blue Velvet e Eraserhead, Lynch foi antes um pintor, tendo produzido inúmeros trabalhos, compôs oito álbuns de música eletrônica (que contam com videoclipes não menos estranhos) além de estar envolvido em diversos projetos, muitos deles ligados a seus filmes. Como designer, fez móveis, assim como também concebeu o desenho de sua casa noturna “Silencio”, inaugurada em 2011.

Tudo que David Lynch concebe, contém sua estética própria, sombria e confusa. Assim não poderiam deixar de ser suas fotografias.

David Lynch, Untitled (England), late 1980s early 1990s

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David Lynch, Untitled (England), late 1980s early 1990s

Untitled (England), late 1980s/early 1990s

David Lynch, Untitled (Lodz), 2000

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David Lynch, Untitled (Lodz), 2000

Untitled (Łódź), 2000

David Lynch, Untitled (Lodz), 2000

Untitled (Łódź), 2000

 

[via The Guardian]