Sobre Photoshop

Marion Cotilllard por Annie Leibovitz

 

De quando em vez a mídia coloca em pauta algum exagero ou polêmica envolvendo a manipulação de imagens e o Photoshop. Antes desta discussão, porém, é importante ressaltar que não existe fotografia sem tratamento, desculpem-me os naturalistas radicais, mas a manipulação de imagens data de meados do século XIX, da escola pictorialista, onde era construida a imagem por meio da sobreposição de vários negativos de vidro em um papel sensibilizado. Oscar Gustav Rejlander, defendendo-se dos ataques à suas fotografias à 6 de abril de 1858 diz: “[a fotografia e a pintura] exigem os mesmos procedimentos mentais, o mesmo tratamento artístico e uma elaboração esmerada” e que “ambos não passam de representações”. Alguns anos depois, já no fim do século, Robert Demachy se popularizou ao usar goma bicromatada para alterar, com o uso do pincel, valores e tons¹. A discussão sobre o teor de realidade presente na fotografia não cabe neste texto, mas é preciso dizer que por si só uma fotografia já não representa a realidade das coisas tais como são, portanto, é inválido o argumento de que a manipulação da imagem furta o aparente realismo da fotografia.

Não obstante, aos fotógrafos amadores que fazem uso do .jpeg ou mesmo aqueles que fotografam em raw sem ao menos saber porquê, o que é pior, é preciso dizer que existem dois tipos de retoque: o processamento e o tratamento da imagem. Aos que fotografam em .jpeg, a saber, a própria câmera faz o processamento e entrega a fotografia final, já no caso do raw cabe ao fotógrafo fazê-lo (por isso, querido leitor desavisado, suas imagens em raw são opacas), e isso acontece porque o formato raw captura e armazena a imagem tal como o sensor da câmera a viu, com maior gama de detalhes em altas e baixas luzes, justamente porque não possui contraste, nem nitidez e cabe ao operador realizar o processamento desta imagem por softwares como o Photoshop Camera RAW ou Lightroom, e isso deve ser feito, sempre.

Já o tratamento de uma imagem, que inclui alterar elementos, no caso da fotografia de Moda em particular, alterar a modelo, não é absolutamente necessário em toda a fotografia, o que determina é o uso dado a cada fotografia, sua finalidade.

A polêmica mencionada no início do texto se situa em torno das implicações sociais que o tratamento de imagens em revistas de moda e comportamento admitem. Mas pensem, nunca foi segredo, as publicações do gênero tratam suas imagens, assim como a publicidade, por um motivo que provavelmente não é tão evidente: a publicidade em geral, de produtos ou serviços não opera com o objeto, mas com o desejo e a ilusão, e tem na fotografia o suporte ideal para incitar esta ilusão. As imagens publicitárias pertencem certamente ao presente, mas nunca se referem ao presente, referem-se ao passado e falam sempre do futuro², justamente porque a publicidade ao mesmo tempo em que aproxima também afasta o consumidor, não podendo lhe proporcionar o objeto real de desejo, alimenta este desejo com ilusões e propõe uma transformação. A publicidade propõe, que ao consumir, sua vida, nossa vida, será transformada, que seremos mais desejáveis, mais importantes, que alcançaremos um status-quo superior, como ilustra a fotografia da revista, sempre no futuro do indicativo. O objetivo é tornar o consumidor em potencial marginalmente insatisfeito com a vida que tem e invejar a vida que poderá ter, a contradição entre aquilo que é e aquilo que gostaria de ser.

Portanto o tratamento de imagem apenas reforça a ilusão préviamente elaborada e construída com base em signos de poder, de status, de desejo, tão necessária à publicidade.

Mas há outra questão que merece destaque e provém da natureza da fotografia em si. Eu particularmente costumo pensar que só se pode afirmar com certeza se uma pessoa é bonita depois de a ter fotografado. Isto porque “a vida não são detalhes significativos, instantes reveladores, fixos para sempre. As fotos sim”³, portanto, a expressão capturada, na luz dura, direta, revela detalhes e imperfeições que não são percebidos a olho nú por quem passa; e se não são percebidos, seriam reais? Fora as próprias lentes objetivas que distorcem o corpo na captação da imagem, o fazendo diferente do que é. A relação de adaptação a luminosidade que a retina possuí e a câmera não torna a luz mentirosa. Enfim, é preciso que se coloque tudo isso em pauta para que se perceba que esse mal estar social tem a ver menos com o tratamento de imagens do que com tudo o que está por detrás disso.

Após estas considerações, conseguimos perceber que a manipulação é apenas uma ferramenta que ajuda o fotógrafo ou artista a chegar a determinado fim, já programado e esperado, mas é um erro pensar que é o causador da problemática da figura da mulher perfeita e da busca por este ideal. De toda forma, a fotografia conquistou aos poucos seu espaço como arte, arte que cria e interpreta signos, manipula impossibilidades e flerta sempre com o surrealismo em busca da idealização de alguma coisa, seja para fins críticos, políticos ou publicitários.

¹ Fabris, Annateresa “O desafio do olhar”, Editora WMF Martins Fontes, 2011

² Berger, John “Modos de ver”, Edições 70, 1972

³ Sontag, Susan “Sobre fotografia”, Companhia das Letras, 2010

Fotografia conceitual de Jean Francois

Não adianta, quando vejo uma galeria como essa de Jean Francois, fico logo querendo dividir com vocês! Quando falamos de fotografia conceitual, não estamos falando de uma fotografia bem elaborada, até porque hoje em dia todas as fotografias devem sair bem elaboradas, mas sim de uma fotografia que quer dizer algo, ou foi manipulada de uma forma “x” com um objetivo de direcionar a comunicação.

O francês descolado, usa a cidade (Luxemburgo)  como ponto de partida, como base para suas imagens, e aí que começa a magia! 😉

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Fantasticamente Still Life fotografia por D.A. Wagner

Todos sabem que a minha categoria da fotografia é a de produtos, ou Still Life,  e está para nascer um artista fotográfico publicitário para desenvolver tão bem uma produção inanimada como o novaiorquino D.A. Wagner faz.

Ele vende o produto de uma forma fantástica: Dando vida a eles. E é exatamente disso que se trata o trabalho de um publicitário fotográfico. Wagner tenta desvendar, ou até mesmo criar histórias para esses produtos, dando um valor especial para cada imagem.

De acordo com o tema e estilo o artista vai combinando dentro de suas referências as melhores cores, fundos e iluminação para que juntos com esses conceitos criados ou desvendados por ele formem uma linda e deslumbrante fotografia Still Life.

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Giant Artists – Movimentar é arte para a fotografia publicitária de RJ Shaughnessy!

Parece uma coisa, MAS é outra! Nenhuma dessas imagens são ‘naturais’ e documentais. Todas elas foram montadas propositalmente para que parecessem ‘naturais’. Se é que me entende! Semana passada falamos de fotografia conceitual (a mãe da fotografia publicitária), esse conjunto de imagens partem do mesmo princípio. Na verdade, essas fotografias são de um fotógrafo publicitário famoso, e para ser ainda mais sincera, essas imagens compõem o portfólio desse fotógrafo. Shaughnessy é o fotógrafo da vez, um publicitário com um olhar inovador e ousado, faz a publicidade (algo a ser vendido) parecer natural e documental. Movimento, sensações de emoção e aventura que juntos passam uma noção de realidade. Pessoas correndo, pulando, se movimentando. Vocês tem noção do que é isso?

É mais um passo dado na ideia de fotografia publicitária! Então, você está preparado para aceitar e se inspirar?

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