Seria a fotografia a culpada pela objetivação do corpo?

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Que o corpo na contemporaneidade, até mesmo na modernidade, vêm sendo tratado pelas mídias e pela sociedade como um objeto todos nós sabemos, mas seria a fotografia uma das culpadas? Essa minha reflexão vem da minha atual releitura do livro de Roland Barthes, A Câmara Clara (citação no final do texto). Não é a primeira vez que leio esse livro, como disse, acabei de reler agora (perdi as contas de quantas veze li) e sempre acho sensacional as reflexões que o semiólogo Barthes dá a existência da fotografia como um todo. A cada vez que leio carrego um tipo de reflexão, sempre gira em torno do que estou vivendo na época. Lembro que a primeira vez que li, ainda na faculdade por volta do ano de 2005 (tô velha, gente), carreguei a reflexão sobre fotografia ser ou não ser arte (tadinha de mim). Agora, absorvi de uma outra forma e avaliando o que estamos vivendo na banalização da imagem, levando em consideração as redes sociais (principalmente instagram e o snapchat (rede social que ainda não consegui entender), acabei carregando essa reflexão que agora vira um post. Lembrando que essas reflexões nunca carregam conclusões. Não sou louca, lunática, para não conseguir finalizar os textos, mas é que essa é a minha proposta: fazer pensar, fazer refletir.

Ainda nas primeiras páginas, Barthes cita a fotografia como uma ferramenta dessa tal objetivação do corpo. Antes da fotografia, os retratos eram pintados a mão em telas, o que tornavam as imagens, por assim dizer, únicas. Mesmo que uma pintura pudesse ser copiada por outro pintor, não era de grande quantidade, e eram usadas para pendurar em paredes, com o intuito de exposição familiar, recordação e história. A produção da fotografia em massa (uma dos temas favoritos de Walter Benjamin) perde esse equilíbrio e transforma a imagem em algo banal. Claro, estamos em uma época em que tudo é efêmero (inclusive notícias trágicas e mortes) assim como tudo acaba se tornando banal, de certa forma, vai muito da sensibilidade de cada conseguir captar o que uma fotografia quer comunicar, transmitir, envolver, animar.

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Alexander Gardner: Retrato de Lewis Payne, 1865. “Ele está morto e vai morrer” disse Barthes em “A Camara Clara”

Dentro da atual sociedade de consumo, acabamos consumindo de tudo. Até pensamentos, conteúdos, almas e espíritos. As fotografias não poderiam escapar. Para Barthes, quando somos fotografados, aquele instante morre e nasce em forma de fotografia. Aquela imagem daquele momento que jamais se repetirá de forma idêntica que a original, e ficou impresso alí, no papel, de uma forma que não só poderemos reviver aquele instante sempre que quisermos ao olharmos aquela fotografia, como também multiplicar aquela imagem quantas vezes quisermos.

As redes sociais acabam por favorecer essa tal banalização do eu. Estou aqui, em meu escritório escrevendo esse texto, e você aí, na sua casa ou trabalho ou na rua, ou até, no metrô, lendo. Estamos próximos e longes e um do outro. Mas você pode acompanhar tudo o que faço todos os dias em minhas redes sociais, me ver em fotografias com meus íntimos, meus momentos felizes, meus momentos únicos. Vamos trazer isso mais pra próximo agora: vamos falar de amigos? Depois que caiu no mercado para trabalhar feito cão e conseguir pagar suas contas, quanto de tempo você tem para ver e visitar seus amigos. Amigos de longas datas que acabam virando amigos apenas de redes sociais porque não temos tempo para comparecer a todos os eventos sociais que te marcam todos os dias nas próprias redes sociais. A imagem do seu amigo agora é virtual, banal, comercial, objetivada.

Mas ainda não sei se a fotografia tem culpa nisso. Acho que quem usou e usa até hoje a fotografia dessa forma (que também não culpo) acabou causando tudo isso. As pessoas que são as culpadas pelos comportamentos e não o comportamento que passou a existir sozinho. E como ainda vejo uma necessidade de muitos fotógrafos amadores e profissionais de transformarem a fotografia em algo muito maior (como realmente é e não como deveria ser), ainda não sei responder aquela pergunta famosa que diz “o que será da fotografia no futuro?”. Eu chuto respondendo “vai depender dos usuários”.

Autor: Henri Cartier-Bresson
Autor: Henri Cartier-Bresson

E você? O que acha? Da fotografia como ferramenta causadora da objetivação do corpo, do comportamento do fotógrafo no percurso da história e o futuro disso tudo?

 

 

(Barthes, Roland. “A câmara clara.” São Paulo: Nova Fronteira (1992)).

Novidade TNF, Top #5 indicações da Semana

Top #5 indicações da Semana

Atenção, atenção, amigos do nosso querido #TNF, estava mais do que na hora de produzirmos, além de conteúdo, sugestões para leituras, produtos para comprar e presentear, locais para fotografar, estilo de vida e tudo mais aqui no nosso cantinho inspiracional. E não só seguindo temáticas diretamente relacionado com a #fotografia mas que de alguma forma complementasse o nosso universo (que já virou estilo de vida faz tempo), e quem sabe, dividindo oportunidades de pesquisa, ajudando em objetos de estudo e tudo mais.

As cinco indicações vão sempre ser variadas. E você pode me mandar sugestões, em caso de ter um blog, ou qualquer outro tipo de sugestão, mande para helosaraujo@gmail.com, publicarei com o maior prazer.

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Autor: Tiago Lourenço

#Blogs

Blog da Comunicação

O Blog da Comunicação, é um daqueles blos que você indica sempre que alguém procura por reflexões sobre política, comunicação, estilo de vida e por formadores de opinião que sabem o que estão falando, e não apenas especulações. #TNFindica e aprova. O blog que foi criado da sala de aula de uma faculdade, por estudantes que hoje são jornalistas formados, o blog se empenha em mostrar um jornalismo independente, com um olhar imparcial.

Phlearn

O blog Phlearn já trata de questões técnicas diretamente relacionadas com a #fotografia. Acho que o nome ficou bem óbvio, né?´Lá você encontra inspirações técnicas, sugestões, possíveis objetos de pesquisa (para quem segue carreira acadêmica), proporciona visão de mercado, opições para iluminação, tutoriais, #Photoshop, e outras dicas a mais. Vale realmente a pena investir nessa leitura.

#Shopping

Tudo para foto

Se você precisa de acessórios mais específicos para iniciar a sua carreira na profissão #fotografia e não acha em sua cidade, provavelmente você encontre neste site Ecomerce, se não encontrar exatamente o que você procurava, encontrará algo parecido, ou acessórios que você nem sabia que existia.

#Leitura

Introdução a análise da Imagem

Claro que não podia faltar livros que nos vão dar conteúdo ao nosso trabalho. Não é porque você não segue carreira acadêmica que você não dar uma atençãozinha às leituras. Meu chefe costuma dizer que o problema dos fotógrafos de hoje é que eles não lêm mais, e as fotografias acabam ficando vazias. E eu concordo com ele, sem conteúdo as imagens acabam ficando sem repertório. Nesse livro, a autora Martine Joly fala de forma bem explicativa, fácil de entender e ler, os processos para analisar uma imagem semioticamente. Sabendo analisar, você também saberár gerar. O #TNFindica

#5 A Câmara Clara

Pode ser clichê da minha parte, indicar o Livro mais famoso das história da #fotografia do lendário crítico Roland Barthes (meu ídolo, por sinal), mas se trata de um livro báse para qualquer outra leitura. A maioria dos livros (99% deles) sobre #fotografia vai citar Roland Barthes e a Câmera Clara como embasamento teórico.  Portando, se você ainda não leu, adquira e não o tire da sua cabiceira.